Argentina
Camarones está situado na árida costa patagônica da Província de Chubut, na Argentina, uma vila de pescadores com cerca de 1.500 habitantes cujo nome—"camarões" em espanhol—revela sua razão comercial de ser com a característica sinceridade argentina. Esta é a Patagônia profunda: uma paisagem de estepes áridas, ventos incansáveis e uma costa onde o Atlântico Sul se choca contra penhascos rochosos que abrigam algumas das mais importantes concentrações de vida marinha da América do Sul.
A principal atração natural da cidade é a Reserva Provincial Cabo Dos Bahías, localizada a trinta quilômetros ao sul, ao longo de uma estrada de terra que serpenteia pela estepa desprovida de árvores antes de chegar a um dramático promontório rochoso onde uma colônia de aproximadamente 30.000 pinguins de Magalhães nidifica anualmente de setembro a março. Ao contrário da mais famosa colônia de Punta Tombo, mais ao norte, Cabo Dos Bahías recebe relativamente poucos visitantes, criando a rara oportunidade de observar pinguins em quase solidão—sentados entre suas tocas enquanto os pássaros caminham a poucos centímetros, alheios à presença humana, suas andanças cômicas e rostos expressivos proporcionando um entretenimento que não requer interpretação.
A vida selvagem da reserva vai muito além dos pinguins. Guanacos — os parentes selvagens da lhama — pastam nas vastas pradarias da estepe em manadas que podem contar com dezenas de indivíduos, sua postura alerta e aristocrática contrastando com a energia cômica dos pinguins. As lebres patagônicas (maras), grandes roedores de pernas longas que se assemelham a um híbrido de coelho e cervo, saltitam pela vegetação rasteira. Ao longo da costa, colônias de leões marinhos ocupam as plataformas rochosas abaixo dos penhascos, e as focas-elefante do sul — as maiores de todas as focas, com machos pesando até quatro toneladas — se reúnem em grupos de descanso durante a temporada de reprodução.
A estepe patagônica que envolve Camarones possui uma beleza austera e varrida pelo vento que cativa o visitante. A paisagem é essencialmente desprovida de árvores — velocidades do vento que frequentemente ultrapassam sessenta quilômetros por hora impedem qualquer crescimento vertical — mas a vegetação rasteira sustenta uma surpreendente diversidade de plantas resistentes, e na breve primavera patagônica (outubro-novembro), flores silvestres adicionam toques de amarelo e roxo ao terreno, de outra forma monocromático. Os vastos céus, desimpedidos por qualquer elemento vertical, produzem pores do sol e formações de nuvens de um drama espetacular.
Os navios de cruzeiro de expedição ancoram em Camarones e transportam os passageiros até o pequeno píer de pesca, a partir do qual o transporte terrestre conecta-se a Cabo Dos Bahías. A própria cidade oferece serviços básicos e uma seleção de restaurantes que servem o camarão local em preparações que variam do simples grelhado a elaboradas receitas com molhos. A temporada de vida selvagem vai de setembro a março, com novembro e dezembro oferecendo a melhor combinação de atividade de pinguins (temporada de criação de filhotes), temperaturas agradáveis (15-22°C) e vento manejável. O vento, deve-se notar, nunca está verdadeiramente ausente na Patagônia — é simplesmente uma questão de grau — e os visitantes devem trazer camadas e roupas externas resistentes ao vento, independentemente do calendário.