Barein
Manama, Kalifa Bin Salman
Manama, a capital do Bahrein, ocupa uma posição peculiar entre as cidades do Golfo — pequena o suficiente para transmitir uma sensação de intimidade, antiga o suficiente para possuir uma verdadeira profundidade histórica e progressista o suficiente para oferecer aos visitantes experiências que seus vizinhos maiores não conseguem ou não querem proporcionar. Esta nação insular, conectada à Arábia Saudita pela ponte King Fahad de vinte e cinco quilômetros, foi o primeiro estado do Golfo a descobrir petróleo (em 1932) e o primeiro a começar a planejar um futuro pós-petróleo, posicionando-se como o centro financeiro da região e a sociedade mais cosmopolita.
O núcleo histórico da cidade revela camadas de civilização que se estendem por cinco mil anos, desde a era Dilmun, quando o Bahrein servia como um centro comercial entre a Mesopotâmia e o Vale do Indo. O Forte do Bahrein (Qal'at al-Bahrain), um Patrimônio Mundial da UNESCO, ergue-se sobre um monte artificial que contém camadas arqueológicas desde a Idade do Bronze até o período islâmico — um único local que comprime milênios de atividade humana em poucos hectares de paredes e pátios escavados. O Museu Nacional do Bahrein, em um impressionante edifício modernista à beira-mar, oferece contexto com uma excelente coleção que abrange montes funerários, caligrafia e equipamentos tradicionais de mergulho de pérolas.
A pesca de pérolas moldou a identidade do Bahrein muito antes do petróleo transformar o Golfo. Durante séculos, os leitos de pérolas da ilha produziram gemas de qualidade lendária, e a Rota das Pérolas — uma paisagem cultural classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO — preserva os armazéns à beira-mar, as casas de comerciantes e a infraestrutura de mergulho que sustentou esse comércio. O bairro de Muharraq, outrora a capital nacional, mantém seu tecido urbano tradicional de ruas estreitas e casas de pátio, incluindo a magnífica Casa Shaikh Isa bin Ali, uma mansão tradicional bahreinita exemplar com paredes de gesso esculpido e torres de vento para ventilação natural.
A cena culinária de Manama é a mais diversificada do Golfo. A influência das tradições persa, indiana e árabe cria uma cultura alimentar de notável complexidade — machboos (arroz temperado com carne ou peixe), harees (mingau de trigo e cordeiro cozido lentamente) e halwa (uma confeitaria de açafrão e água de rosa) representam a cozinha tradicional bareinita, enquanto os restaurantes da cidade abrangem mezes libaneses, biryani indiano, tailandês, japonês e fusão contemporânea. Os souks — particularmente o Souk do Ouro e o atmosférico Souk Bab al-Bahrain — oferecem uma experiência de compras no Golfo sem a escala avassaladora de Dubai ou Abu Dhabi.
Os navios de cruzeiro atracam no Porto Khalifa Bin Salman, com o centro da cidade acessível de táxi em aproximadamente quinze minutos. O tamanho compacto do Bahrein significa que a maioria das atrações — incluindo a Árvore da Vida, uma misteriosa árvore de mesquite com quatrocentos anos que sobrevive sozinha no deserto do sul, e o Circuito Internacional do Bahrein, lar do Grande Prêmio de Fórmula Um — pode ser visitada em um único dia. A melhor época para visitar vai de novembro a março, quando as temperaturas são agradáveis. Os meses de verão trazem um calor extremo que ultrapassa os quarenta e cinco graus Celsius. O Bahrein oferece aos visitantes do Golfo algo precioso: autenticidade ao lado da modernidade, tradição ao lado da tolerância.