
Brasil
Belem
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Belém se encontra na foz do Amazonas — o ponto onde o rio mais poderoso do mundo deságua no Atlântico através de um delta tão vasto que a pluma de água doce se estende por 400 quilômetros no oceano. Esta cidade de 1,5 milhão de habitantes, capital do estado brasileiro do Pará, é a porta de entrada para a bacia amazônica e a capital cultural do norte do Brasil — um lugar onde a selva permeia o tecido urbano de maneiras tanto literais (as mangueiras que sombreiam cada rua) quanto figurativas (os ingredientes indígenas, ritmos e tradições que distinguem a cultura belenense do restante do Brasil).
O mercado Ver-o-Peso, ocupando um magnífico salão de ferro e vidro em estilo Art Nouveau à beira-mar, é o maior mercado ao ar livre da América Latina e a experiência gastronômica mais imersiva do Brasil. O mercado de peixes antes do amanhecer — onde centenas de espécies de peixes de água doce da Amazônia, muitos desconhecidos fora da região, são dispostos em abundância prateada — se transforma ao nascer do sol em um mercado de produtos com uma variedade tropical impressionante: frutas de açaí (Belém é a capital mundial do açaí, consumido aqui como uma polpa espessa e sem açúcar, ao invés do smoothie bowl adoçado da moda internacional), cupuaçu, bacuri, tucumã e dezenas de outras frutas cujos nomes existem apenas em português e nas línguas indígenas de onde se originam. A seção de ervas e poções medicinais — onde os vendedores prescrevem remédios à base de plantas para males que vão desde o coração partido até a queda de cabelo — acrescenta um elemento de teatro etnobotânico.
A culinária de Belém é cada vez mais reconhecida como uma das mais distintas e emocionantes cozinhas regionais do Brasil. Tacacá, uma sopa de tucupi (um caldo amarelo derivado da mandioca selvagem), jambu (uma erva folhosa que adormece a boca com uma leve sensação elétrica), camarões secos e goma de tapioca, é a comida de rua icônica de Belém — servida em cumbucas de cabaça em barracas de tacacá que surgem em cada esquina ao anoitecer. Maniçoba, um ensopado de folhas de mandioca moídas cozidas com carnes defumadas por uma semana para eliminar o cianeto natural da folha, é a resposta do Pará à feijoada. Pato no tucupi — pato cozido em tucupi com jambu — é o prato festivo servido no Círio de Nazaré, a imensa procissão religiosa de Belém em outubro que atrai mais de dois milhões de participantes e é um dos maiores festivais católicos do mundo.
O patrimônio colonial de Belém reflete a riqueza que a borracha, as especiarias e os recursos amazônicos trouxeram à cidade durante o auge do século XIX. O Theatro da Paz, uma casa de ópera neoclássica concluída em 1878, rivaliza em grandeza arquitetônica com o mais famoso Teatro Amazonas, em Manaus. A Estação das Docas, um complexo de armazéns à beira-mar restaurado, abriga agora restaurantes, galerias e bares com vista para o rio. O Mangal das Garças, um parque ecológico à beira do rio, proporciona encontros acessíveis com a vida selvagem amazônica — preguiças, araras e as aves aquáticas que dão nome ao parque (mangal significa "mangue", garças significa "garças") — dentro dos limites da cidade.
Belém é servida pela Azamara em itinerários pela Amazônia e transatlânticos, com navios atracando no porto da cidade. A estação seca, de julho a dezembro, oferece as condições mais confortáveis, com a procissão do Círio de Nazaré em outubro proporcionando o destaque cultural. A estação chuvosa, de janeiro a junho, traz chuvas intensas, mas também os níveis mais altos dos rios, que tornam as excursões pela Amazônia a montante mais navegáveis.
