Brasil
Florianopolis
Florianópolis ocupa uma das posições mais invejáveis de qualquer cidade nas Américas — metade no continente, metade em uma ilha, conectada por pontes que atravessam um estreito onde o Atlântico se empurra para uma baía tão abrigada que serviu como um ancoradouro perfeito para embarcações portuguesas, espanholas e piratas ao longo da era colonial. A ilha de Santa Catarina, que compreende a maior parte da cidade, se estende por 54 quilômetros de norte a sul e contém 42 praias — uma estatística que explica por que os brasileiros há muito consideram "Floripa" a capital das praias do país, e por que visitantes argentinos, uruguaios e chilenos inundam a cidade a cada verão do Hemisfério Sul com um entusiasmo que beira a devoção.
O caráter de Florianópolis existe em uma agradável tensão entre seu patrimônio luso-açoriano e sua identidade contemporânea como a cidade brasileira com a melhor qualidade de vida. O centro histórico na costa oeste da ilha preserva a Praça XV de Novembro, uma praça arborizada cercada pelo palácio do governador colonial, a catedral metropolitana e as fachadas pastel das casas de comerciantes do século XVIII. Mas, ao sair do centro, a personalidade moderna de Floripa se impõe: a cultura do surf domina as praias do leste, onde a Praia Mole e a Praia Joaquina atraem os melhores surfistas do Brasil; a cultura da lagoa se concentra na Lagoa da Conceição, uma vasta lagoa costeira cercada por restaurantes, bares e boutiques; e as praias do norte — especialmente Jurerê Internacional — pulsando com uma cena de beach club VIP que supera o glamour de St. Tropez a uma fração da pretensão.
O patrimônio açoriano de Florianópolis — os colonos dos Açores começaram a chegar no século XVIII, e seus descendentes ainda formam a espinha dorsal cultural de várias comunidades — é mais visível nas vilas de pescadores do sul e do oeste da ilha. Ribeirão da Ilha, um pitoresco assentamento de casas caiadas e uma igreja barroca voltada para o continente através da calma baía, é o centro da indústria de ostras de Floripa: as águas quentes e ricas em nutrientes da baía sul produzem mais de 70% das ostras cultivadas do Brasil, e os restaurantes à beira-mar aqui as servem cruas, grelhadas com Parmesão ou assadas com catupiry — um toque brasileiro que horrorizaria os puristas franceses, mas encanta a todos os demais.
A paisagem culinária de Florianópolis vai muito além das ostras. A Sequência de camarão — um desfile aparentemente interminável de pratos de camarão — é a experiência gastronômica emblemática da ilha, oferecida em dezenas de restaurantes onde a refeição pode chegar a doze ou mais pratos. A tainha, capturada durante a migração de inverno em uma tradição que envolve toda a comunidade arrastando redes de cerco da praia, é grelhada inteira e servida com pirão (mingau de peixe e farinha) nos festivais sazonais que marcam a captura. O Mercado Público, o edifício do mercado da cidade de 1899, abriga barracas de comida, bares e restaurantes onde empresários, pescadores e turistas compartilham mesas comunitárias sobre pratos de pastéis (empanados fritos recheados com camarão ou queijo) e copos de suco de cana-de-açúcar fresco.
Florianópolis recebe navios de cruzeiro no terminal portuário da costa oeste, com o centro da cidade a uma curta distância a pé. O melhor momento para visitar depende das prioridades: os meses de verão, de dezembro a março, oferecem as águas mais quentes, a cena de praia mais vibrante e os dias mais longos, enquanto os meses de transição, novembro e abril, proporcionam um clima excelente com muito menos multidões. Os meses de inverno, de junho a agosto, são amenos (raramente abaixo de 15°C) e coincidem com a temporada de observação de baleias, quando as baleias-francas do sul vêm às baías para dar à luz — visíveis da costa em vários pontos ao longo da costa sul da ilha.