
Brasil
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Recife é a Veneza do Brasil — não no sentido turístico de gôndolas e máscaras de carnaval, mas na realidade topográfica fundamental de uma cidade construída sobre a água. A capital do estado de Pernambuco está situada na confluência dos rios Capibaribe e Beberibe, espalhada por ilhas, penínsulas e terras recuperadas, conectadas por dezenas de pontes que conferem à cidade seu caráter distinto e seu apelido: a Cidade das Pontes. Fundada pelos holandeses na década de 1630 durante sua breve ocupação colonial do nordeste do Brasil, Recife mantém traços arquitetônicos desse patrimônio incomum — os holandeses trouxeram sua expertise em construção de canais, sua tolerância religiosa e seu pragmatismo comercial para uma costa tropical mais comumente associada ao colonialismo português.
O centro histórico de Recife Antigo, ocupando a ilha na foz do porto, foi revitalizado e se tornou o distrito cultural mais vibrante da cidade. A praça Marco Zero, onde um disco solar de bronze marca o centro simbólico da cidade, de frente para o porto e o parque escultórico de Francisco Brennand, o artista pernambucano cujos totemes cerâmicos — parte Gaudí, parte mitologia amazônica — povoam uma antiga fábrica de azulejos nos arredores da cidade, em uma das mais extraordinárias instalações de arte das Américas. A Rua do Bom Jesus, anteriormente conhecida como Rua dos Judeus, foi o lar da primeira sinagoga do Hemisfério Ocidental — o Kahal Zur Israel, estabelecida por judeus sefarditas que acompanharam os colonizadores holandeses na década de 1630, cujos restos arqueológicos agora estão preservados como um museu sob um edifício colonial restaurado.
A cultura culinária de Recife é o orgulho do nordeste brasileiro. A tapioca — não o pudim, mas finas crepes feitas de fécula de mandioca, recheadas com tudo, desde queijo coalho e manteiga até coco e leite condensado — é a comida de rua mais onipresente da região, servida em carrinhos em cada esquina e praia. O bolo de rolo, um bolo enrolado tão fino quanto papel, com camadas de pasta de goiaba, é o doce emblemático de Pernambuco, e sua preparação trabalhosa — cada camada espalhada e enrolada à mão — reflete uma tradição confeiteira que remonta às cozinhas coloniais portuguesas. Os frutos do mar são magníficos: lagosta grelhada nas praias de Boa Viagem, moqueca pernambucana cozida em azeite de dendê e leite de coco, e o lendário sururu — pequenos mexilhões cozidos em um caldo que os locais afirmam curar todos os males.
Olinda, a joia colonial situada nas colinas imediatamente ao norte de Recife, é um Patrimônio Mundial da UNESCO cujas ruas de paralelepípedo, igrejas pintadas em tons pastéis e vistas panorâmicas em direção ao moderno horizonte da cidade compõem uma das paisagens urbanas mais pitorescas do Brasil. O Carnaval de Olinda — uma alternativa mais íntima e participativa ao espetáculo dos estádios do Rio — preenche as ruas estreitas com procissões de gigantescos bonecos (bonecos de Olinda), dançarinos de frevo girando seus distintivos guarda-chuvas pequenos e conjuntos de maracatu cujos ritmos afro-brasileiros traçam diretamente as raízes das populações escravizadas que construíram a economia açucareira do Pernambuco colonial.
Recife é atendida pela Azamara e MSC Cruises em itinerários sul-americanos e transatlânticos, com os navios atracando no terminal do porto de Recife. A janela ideal para visitação é de setembro a março, quando a estação seca proporciona abundante sol e temperaturas quentes, variando de 20 a 30 graus, embora a latitude tropical de Recife assegure um clima propício para praias durante todo o ano.

