Canadá
Prince Edward Island
A Ilha do Príncipe Eduardo repousa no Golfo de São Lourenço como um crescente de solo avermelhado, sendo a menor província do Canadá e, indiscutivelmente, a mais encantadora. A fama da ilha repousa sobre três pilares: Anne de Green Gables, de Lucy Maud Montgomery, que atrai leitores e peregrinos de todo o mundo desde sua publicação em 1908; as batatas, que estão entre as melhores da América do Norte; e as praias — centenas de quilômetros de costa de areia vermelha e branca que as águas mornas do golfo tornam genuinamente apropriadas para banho no verão, uma raridade no Canadá Atlântico. Sob essas associações familiares, reside uma história mais profunda de herança Mi'kmaq, resiliência Acádia e uma cultura de agricultura e pesca que moldou a paisagem suave da ilha por séculos.
O caráter da ilha é pastoral no sentido mais verdadeiro—terras agrícolas ondulantes divididas por estradas de terra vermelha e sebes, com torres de igrejas marcando as comunidades que pontilham o interior. Charlottetown, a capital provincial e o berço do Canadá (a Conferência de Charlottetown de 1864 levou à Confederação), é uma cidade caminhável de arquitetura vitoriana, ruas arborizadas e um calçadão à beira-mar que consegue ser ao mesmo tempo histórico e vibrante. A Province House, onde os Pais da Confederação se reuniram, é um santuário nacional de elegância discreta. A cena artística da cidade—anexada ao Confederation Centre of the Arts, que apresenta o musical Anne of Green Gables todos os verões desde 1965—adiciona profundidade cultural à energia comercial da capital.
A reputação culinária da Ilha do Príncipe Eduardo (PEI) disparou nos últimos anos, impulsionada pela extraordinária qualidade de seus ingredientes. As ostras da ilha—Malpeques, Colville Bays, Lucky Limes e dezenas de outras variedades de diferentes baías—estão entre as mais valorizadas da América do Norte, cada baía produzindo um perfil de sabor distinto moldado pela sua mistura única de sal, água doce e composição do fundo marinho. Os jantares de lagosta, uma tradição da PEI desde a década de 1950, oferecem lagosta à vontade acompanhada de chowder, mexilhões, saladas e sobremesas caseiras em salões comunitários e restaurantes por toda a ilha—essas festas comunitárias são tanto uma experiência cultural quanto culinária. As batatas da ilha, cultivadas no solo vermelho rico em ferro, são lendárias; combinadas com os frutos do mar frescos, laticínios e mirtilos silvestres que a ilha produz, alimentam um movimento de farm-to-table que tornou a PEI um sério destino gastronômico.
As praias da ilha são a principal atração natural. O Parque Nacional da Ilha do Príncipe Eduardo, que se estende ao longo da costa norte, protege mais de quarenta quilômetros de falésias de arenito vermelho, sistemas de dunas e praias de areia—incluindo a Praia Cavendish, a mais famosa (e mais visitada) da ilha. A Praia dos Areais Cantantes, em Basin Head, na costa leste, ganha seu nome pelo som estridente produzido ao caminhar sobre a fina areia de sílica—um fenômeno raro o suficiente para atrair estudos científicos. A Trilha da Confederação, um caminho de ciclismo e caminhada de 470 quilômetros que segue o trajeto da antiga ferrovia da ilha, atravessa toda a ilha de ponta a ponta, passando por terras agrícolas, florestas e comunidades costeiras—uma das melhores conversões de trilhas ferroviárias na América do Norte.
A Ilha do Príncipe Eduardo é acessível por via aérea até Charlottetown, pela Ponte da Confederação de treze quilômetros que liga New Brunswick (a ponte mais longa sobre águas cobertas de gelo do mundo) e por ferry a partir da Nova Escócia. A ilha está incluída nos itinerários de cruzeiros do Canadá Atlântico, com navios atracando na orla de Charlottetown. O melhor período para visitar é de junho a setembro, quando as praias estão em seu esplendor e os jantares de lagosta estão em plena atividade. O Festival Sabores do Outono, em setembro, celebra a colheita com eventos por toda a ilha. O inverno traz a temporada mais tranquila da ilha — bela sob a neve, mas com serviços turísticos limitados.