França
Bourdeilles é uma joia do Périgord Vert, a porção verde e arborizada do norte da Dordogne, onde dois castelos ocupam um único esporão rochoso acima do Rio Dronne, em uma composição que parece disposta para o deleite dos pintores. O castelo mais antigo, uma fortaleza do século XIII com um maciço donjon octogonal, foi construído durante as lutas de poder entre os reis da Inglaterra e da França pelo controle da Aquitânia. O castelo mais novo, um elegante château renascentista construído no século XVI por Jacquette de Montbron (que esperava receber Catarina de Médici como hóspede—uma honra que nunca se concretizou, interrompendo a conclusão da construção), abriga uma das mais finas coleções de móveis e artes decorativas do sudoeste da França.
A vila abaixo dos castelos é pequena o suficiente para ser percorrida de ponta a ponta em cinco minutos—um aglomerado de casas de pedra com telhados íngremes e janelas de sótão, uma ponte medieval que atravessa o Dronne, e alguns restaurantes cujas varandas oferecem vistas para o rio e o castelo acima. O Dronne, neste ponto, é plácido e ladeado por árvores, sua superfície refletindo o calcário dourado dos edifícios e o dossel verde de salgueiros e álamos que sombreiam suas margens. Canoas e caiaques deslizam suavemente ao lado das muralhas do castelo no verão, e o splash de nadadores das margens gramadas abaixo da ponte proporciona a trilha sonora de uma tarde de verão no Périgord.
A culinária do Périgord é uma das grandes tradições regionais da França, e Bourdeilles está no coração dela. O foie gras—de pato e ganso—é produzido em fazendas por toda a paisagem circundante, servido como terrines, escalopes selados ou simplesmente sobre torradas com um fio de mel trufado. O confit de canard, pernas de pato preservadas em sua própria gordura e crocantes em um forno quente, é o luxo cotidiano da mesa périgordina. A trufa negra do Périgord, colhida de novembro a março, comanda os preços mais altos de qualquer fungo no mundo e transforma ovos simples, massas e batatas em pratos de intensa e terrosa complexidade. Nozes, outra especialidade do Périgord, aparecem em saladas, bolos e óleo de noz—extraído em moinhos locais—que adiciona uma riqueza amanteigada a vinagretes e pratos de vegetais. Os vinhos de Bergerac, logo ao sul, oferecem um acompanhamento excelente e acessível.
O Périgord que circunda Bourdeilles oferece uma concentração de maravilhas pré-históricas, medievais e naturais que é única na Europa. Brantôme, a "Veneza do Périgord", está a dez minutos ao norte — uma cidade construída em uma ilha no Dronne, com sua abadia beneditina encostada diretamente em um penhasco repleto de cavernas trogloditas. As cavernas pintadas de Lascaux (a réplica Lascaux IV proporciona uma recriação extraordinária das pinturas originais de 17.000 anos), Font-de-Gaume e Les Eyzies — a "capital da pré-história" — estão a uma hora de carro. As cidades bastidas do Vale do Dordogne, com suas igrejas fortificadas e praças de mercado, oferecem uma atmosfera medieval. E o próprio rio, navegável de canoa a partir de Bourdeilles rio abaixo, através de uma paisagem de castelos, penhascos e florestas, proporciona uma das mais belas jornadas fluviais da França.
Bourdeilles é acessível a partir de Périgueux (vinte e cinco minutos) e Bordeaux (duas horas), e está incluída nos itinerários de turismo e cruzeiros fluviais pela Dordogne. O melhor período para visitar é de maio a outubro, com junho e setembro oferecendo as temperaturas mais agradáveis e a atmosfera mais tranquila. Julho e agosto trazem o clima mais quente e o auge da temporada de canoagem e caiaque, juntamente com os mercados noturnos (marchés nocturnes) que animam as vilas do Périgord nas noites de verão com comida, vinho e música ao vivo. A temporada de trufas (novembro a março) proporciona uma razão gastronômica para visitar nos meses mais frios.