Polinésia Francesa
Hiva Oa é a ilha onde Paul Gauguin foi para morrer — e onde Jacques Brel, o cantor e compositor belga, o seguiu sete décadas depois, atraído pela mesma beleza feroz e melancólica que havia chamado o pintor para o extremo do mundo. Ambos os homens estão enterrados no Cemitério Calvaire, acima da vila de Atuona, suas sepulturas perpetuamente decoradas com flores frescas por ilhéus que abraçaram esses exilados europeus como marquês honorários. Mas reduzir Hiva Oa aos seus famosos mortos seria perder o pulsar vivo de uma ilha cuja herança polinésia se estende por mais de mil anos e cuja paisagem — um drama vulcânico de cristas afiadas, vales profundos e uma costa de areia preta e torres de basalto — está entre as mais espetaculares do Pacífico.
As Ilhas Marquesas, das quais Hiva Oa é a segunda maior, são as ilhas habitadas mais remotas do mundo — a 1.400 quilómetros a nordeste da Taiti e a mais de 4.800 quilómetros do continente mais próximo. Este isolamento extremo gerou uma cultura distinta do restante da Polinésia: a língua marquesana, sua tradição de tatuagem (a palavra "tatuagem" deriva do marquesano "tatu") e sua monumental arquitetura em pedra os diferenciam de seus primos taitianos e havaianos. O sítio arqueológico de Puamau, na costa nordeste de Hiva Oa, abriga o maior tiki da Polinésia Francesa — uma figura de basalto imponente com mais de dois metros de altura que observa o vale com a mesma expressão enigmática que ostenta há séculos.
Atuona, o principal assentamento de Hiva Oa, é uma aldeia sonolenta com cerca de 2.000 habitantes, espalhados ao longo de uma baía cercada por montanhas que parecem impossivelmente íngremes e verdes. O Espace Jacques Brel abriga o amado avião Beechcraft Bonanza do cantor, ao lado de fotografias e memorabilia, enquanto o Musée Paul Gauguin — modesto, mas tocante — exibe reproduções de suas pinturas marquêsas na paisagem que as inspirou. No entanto, o verdadeiro museu de Gauguin é a vista do cemitério: a baía, as palmeiras de coco, as montanhas se dissolvendo em nuvens — uma tela que explica por que o pintor abandonou Paris, Copenhague e Tahiti por este último e remoto paraíso.
A culinária marquesana é única dentro da Polinésia Francesa. A carne de cabra — introduzida por visitantes europeus primórdios e agora correndo livremente pelas cristas da ilha — é a principal fonte de proteína, cozida lentamente em leite de coco para produzir um ensopado de profundidade notável. O peixe cru preparado com suco de limão e leite de coco (poisson cru) é onipresente, mas a versão marquesana, enriquecida com fruta-pão e servida com pasta de fruta-pão fermentada (popoi), possui uma complexidade ausente na preparação tahitiana. O solo vulcânico da ilha produz frutas excepcionais — mangas, papaias, pamplemousse e o fruto noni, cujo suco pungente é consumido localmente como um tônico de saúde. A fruta-pão, em dezenas de preparações que vão do assado ao fermentado, continua a ser o sustento nas Marquesas, assim como tem sido por um milênio.
A baía de Hiva Oa, em Atuona, serve como ancoradouro para navios de cruzeiro, com os passageiros desembarcando no pequeno porto. O melhor período para visitar é de maio a outubro, a estação seca, quando as trilhas montanhosas são mais acessíveis e os mares estão mais calmos para as operações de desembarque. O Festival de Artes das Marquesas, realizado a cada quatro anos (alternando entre Hiva Oa e Nuku Hiva), reúne dançarinos marquesanos, tatuadores e escultores de todo o arquipélago em uma celebração da cultura polinésia que se destaca entre os eventos culturais mais autênticos do Pacífico.