Polinésia Francesa
Mataiva Atoll, Tuamotu Islands
O Atol Mataiva — o "Olho do Céu" na língua tuamotuan — é o atol mais ocidental do Arquipélago de Tuamotu, na Polinésia Francesa, um baixo anel de coral que mal se eleva a três metros acima do nível do mar, circundando uma lagoa que é única no Pacífico. Onde a maioria das lagoas de atol são vastas extensões de água turquesa, a de Mataiva é dividida em aproximadamente setenta bacias interconectadas por uma rede de elevações de coral chamadas de recifes reticulados — uma formação geológica tão rara e visualmente impressionante que rendeu à ilha comparações com um favo de mel natural ou, visto do ar, uma vitral representado em todos os tons de azul e verde. Apenas três ou quatro atóis no mundo exibem essa formação, e o de Mataiva é o mais perfeitamente preservado.
A ilha abriga aproximadamente 280 pessoas, concentradas na vila de Pahua, próxima ao único canal navegável que conecta a lagoa ao oceano aberto. A vida em Mataiva segue ritmos que governaram a existência do atoleiro por séculos: pesca, colheita de cocos (a copra continua sendo uma base econômica) e a vida social comunitária que sustenta pequenas comunidades insulares. A igreja de coral caiada da vila, a mairie (prefeitura) e as poucas pequenas lojas constituem a totalidade da infraestrutura de Mataiva. Não há resort, não há banco, não há farmácia — e essa austeridade, longe de ser um déficit, é precisamente o que atrai os poucos visitantes que encontram seu caminho até aqui, tipicamente a bordo de navios de cruzeiro de expedição ou pequenas embarcações à vela.
A experiência culinária em Mataiva é ditada pela lagoa e pelo coqueiro. Peixes — peixe-papagaio, garoupa, cavala e o precioso mahi-mahi do oceano aberto — são preparados na tradição polinésia: crus como poisson cru marinado em limão e creme de coco, grelhados sobre brasas de casca de coco, ou assados em um forno subterrâneo (ahimaa) para festas comunitárias. O coco aparece em todas as formas concebíveis — a água bebida fresca, a polpa ralada em molhos, o creme enriquecendo pratos tanto salgados quanto doces, o óleo utilizado para cozinhar e cuidar do corpo. O pão-fruto, quando está na estação, é assado diretamente nas brasas ou fermentado em uma pasta preservada (mahi) que serve como alimento de emergência durante a temporada de ciclones. A simplicidade da culinária é sua virtude — cada ingrediente é fresco, local e consumido dentro de algumas horas após a colheita.
A lagoa reticulada é o tesouro natural de Mataiva. O mergulho livre nas bacias rasas revela um mosaico de microambientes de corais, cada piscina sustentando sua própria comunidade de peixes de recife, pepinos-do-mar e vieiras gigantes. As elevações entre as bacias ficam expostas na maré baixa, permitindo que os visitantes caminhem sobre a superfície da lagoa em uma paisagem surreal de plataformas de coral e poças turquesa que se assemelham a um complexo natural de piscina infinita. O recife externo — a uma curta viagem de barco da aldeia — mergulha em um profundo azul do Pacífico, onde peixes pelágicos, tubarões de recife e ocasionalmente raias manta patrulham os canais varridos pela corrente. Em terra, os motus (ilhotas) que compõem o anel do atol estão cobertos de coqueiros e árvores de madeira de ferro, suas praias de coral triturado fornecendo locais de nidificação para tartarugas marinhas e abrigo para caranguejos-eremitas.
Mataiva possui uma pequena pista de pouso com voos irregulares da Air Tahiti a partir de Tahiti (aproximadamente uma hora e meia), embora o serviço seja limitado e sujeito a alterações. Navios de cruzeiro de expedição visitam ocasionalmente, ancorando do lado de fora da passagem e transportando os passageiros até a vila. As poucas pousadas estilo pensão na ilha oferecem acomodações simples, administradas por famílias, com refeições incluídas. A estação seca, de abril a outubro, proporciona o clima mais confortável, embora a baixa latitude do atole garanta temperaturas quentes durante todo o ano. Os visitantes devem trazer protetor solar seguro para os recifes, equipamento de snorkel (a disponibilidade na ilha é limitada) e uma apreciação por um ritmo de vida regido pelas marés, e não pelos relógios.