Groenlândia
Ao largo da costa sudeste da Islândia, a uma curta viagem de barco da vila de pescadores de Djúpivogur, a Ilha Papey é uma pequena ilha desabitada cujo nome — "Ilha dos Frades" — evoca os monges irlandeses (papar) que podem ter sido os primeiros habitantes da Islândia, precedendo a colonização nórdica do século IX. Com apenas dois quilômetros quadrados de área, Papey foi habitada até 1966, quando a última família de agricultores partiu, deixando para trás a pequena igreja de madeira da ilha (construída em 1807 e uma das mais antigas da Islândia oriental), muros de pedra e a memória de uma comunidade que sobreviveu por séculos neste remoto pedaço de terra.
Os residentes mais cativantes da ilha hoje são os papagaios-do-mar. Papey abriga uma das maiores colônias de papagaios-do-mar do leste da Islândia, com milhares de pares aninhando-se em tocas nas encostas gramadas a cada verão. A aparência cômica das aves — plumagem preta e branca, bico triangular laranja e um andar sério que parece parodiar a seriedade humana — torna-as irresistíveis para os visitantes, que podem observá-las a uma distância notavelmente próxima enquanto as aves se deslocam entre suas tocas e o mar, carregando bicos cheios de enguias de areia de volta para seus filhotes. As gaivotas árticas, os patos-eider e as focas cinzentas completam o conjunto da vida selvagem.
A paisagem de Papey é a Islândia em seu estado mais pastoral — grama verde, muros de pedra e os contornos suaves de uma baixa ilha que não oferece proteção contra os ventos do Atlântico Norte que a atravessam. A fazenda abandonada, com seus edifícios de ferro galvanizado lentamente enferrujando no ar salgado, conta a história de uma comunidade que viveu da pesca e da criação de ovelhas em condições de considerável dificuldade. A igreja, mantida por voluntários, é visitada anualmente para um serviço especial de verão — uma tradição que conecta a atual comunidade de Djúpivogur com seu patrimônio insular.
A costa circundante do leste da Islândia está entre as menos visitadas do país, apesar de oferecer algumas das paisagens mais dramáticas. Os Eastfjords — uma série de fiordes profundos e estreitos separados por cabeços montanhosos — criam uma paisagem de beleza íntima que contrasta com os vastos e abertos espaços do interior da Islândia. Djúpivogur, com seu posto comercial dinamarquês restaurado e a instalação escultórica à beira-mar "Eggs at Gleðivík" (trinta e quatro ovos de granito representando os ovos de espécies de aves locais), oferece uma base encantadora para explorar este canto tranquilo da Islândia.
Papey é acessível de barco a partir de Djúpivogur, com passeios programados operando durante os meses de verão (junho a agosto). Navios de cruzeiro de expedição às vezes visitam, com desembarques em Zodiacs na costa rochosa da ilha. A temporada de papagaios-do-mar vai de meados de abril até meados de agosto, sendo junho e julho o período de maior avistamento. O clima pode ser imprevisível, e as travessias de barco podem ser canceladas em condições adversas. Papey oferece um encontro suave e íntimo com a natureza e a história islandesas — um contraste com as grandiosas paisagens vulcânicas que dominam a experiência da maioria dos visitantes na Islândia.