Indonésia
Java, Indonesia
Java é o coração cultural e político da Indonésia — uma ilha de 150 milhões de pessoas (tornando-se a ilha maior mais densamente povoada do planeta) cujo cenário vulcânico tem nutrido civilizações por mais de um milênio. Os reinos hindu-budistas que construíram Borobudur e Prambanan, os sultanatos islâmicos de Demak e Mataram, a capital colonial da Companhia Holandesa das Índias Orientais em Batávia, e a moderna república indonésia cuja capital, Jacarta, ocupa a costa noroeste da ilha, deixaram cada um sua marca em um palimpsesto cultural de profundidade e variedade extraordinárias.
A espinha vulcânica de Java — uma cadeia de mais de 100 vulcões, dos quais 35 permanecem ativos — cria algumas das paisagens mais dramáticas do Sudeste Asiático. O Monte Bromo, cujo cratera fumegante se ergue de uma vasta caldeira de areia vulcânica, é a vista mais icônica de Java — o ponto de observação ao amanhecer do Monte Penanjakan, com vista para Bromo e o cone imponente do Monte Semeru (o pico mais alto de Java, com 3.676 metros) silhuetado contra um céu de amanhecer em tons de salmão e ouro, é uma das cenas mais fotografadas da Indonésia. O Cratera Ijen, no leste de Java, onde mineiros de enxofre descem em uma cratera vulcânica para extrair enxofre fundido à mão — carregando cestas de 70 quilos por trilhas íngremes em condições de gás tóxico — proporciona tanto um fenômeno espetacular de chamas azuis à noite quanto um encontro sóbrio com o custo humano da extração de recursos.
A culinária javanesa, refinada ao longo dos séculos nas cortes dos sultanatos, está entre as mais sofisticadas do Sudeste Asiático. A cidade real de Yogyakarta (Jogja) é a capital culinária: o gudeg — jaca jovem cozida por horas em açúcar de palma e leite de coco até atingir uma doçura caramelizada e tenra — é o prato emblemático da cidade, servido com arroz, frango e ovos cozidos mergulhados no mesmo molho. O nasi rawon, uma sopa negra de carne bovina feita com a rara noz keluak que lhe confere sua distinta cor escura, é a grande contribuição de Java Oriental. O bakso, sopa de almôndega indonésia, é a comida de rua mais onipresente do país, enquanto as preparações de tahu e tempe — fritas, grelhadas ou cozidas em molho — refletem a maestria javanesa na transformação da soja.
O patrimônio cultural de Java se estende desde os antigos templos até as tradições vivas dos kraton (cortes reais) de Yogyakarta e Solo (Surakarta). O Kraton de Yogyakarta, o complexo palaciano do Sultão, continua a ser a residência do Sultão reinante e um centro para as artes tradicionais javanesas — a música gamelan, o wayang kulit (teatro de sombras) e a dança clássica javanesa, cujos movimentos refinados e controlados incorporam o ideal javanês de halus (refinamento). O batik, a arte têxtil de resistência à cera que a UNESCO reconheceu como Patrimônio Cultural Imaterial, atinge sua mais alta expressão nas oficinas de Yogyakarta e Solo, onde o batik desenhado à mão (tulis) de qualidade museológica pode levar meses para ser concluído.
Java é visitada pela Viking em itinerários indonésios, com navios fazendo escalas em vários portos javaneses. A estação seca, de maio a outubro, oferece as condições mais confortáveis para visitas a templos e excursões a vulcões, com junho a agosto proporcionando a melhor visibilidade das montanhas. O calendário cultural — particularmente o festival Sekaten em Yogyakarta e as performances anuais de gamelan no teatro ao ar livre de Prambanan — adiciona destaques sazonais.