Indonésia
Maumere foi uma vez a cidade mais próspera do leste de Flores — um porto vibrante onde missionários portugueses, comerciantes Bugis e o povo indígena Sikkanese criaram uma cultura singularmente estratificada na costa norte de uma das ilhas mais dramáticas da Indonésia. O devastador terremoto e tsunami de 1992 arrasaram grande parte da cidade e ceifaram milhares de vidas, mas Maumere se reergueu com uma resiliência silenciosa, e hoje serve tanto como um portal para as paisagens extraordinárias do leste de Flores quanto como um destino por si só para mergulhadores atraídos por alguns dos recifes mais intocados da Indonésia.
A cidade se estende ao longo de um calçadão curvilíneo, respaldado pela espinha dorsal vulcânica de Flores — montanhas exuberantes, envoltas em nuvens, que mergulham quase verticalmente no mar. O mercado matinal é Maumere em sua forma mais vibrante: pescadores descarregam atuns e mahi-mahi, mulheres organizam pirâmides de frutas tropicais, e o ar se enche com o aroma de pisang goreng recém-fritos e do forte café de Flores. O patrimônio católico da colonização portuguesa permanece profundamente enraizado — as igrejas de Maumere estão lotadas aos domingos, e o Seminário Católico Ledalero, situado nas colinas acima da cidade, é um dos mais respeitados do Sudeste Asiático.
A culinária do Leste de Flores é robusta, despretensiosa e fundamentada em frutos do mar frescos e produtos cultivados em solo vulcânico. O Se'i babi — porco defumado preservado sobre madeira aromática — é uma especialidade local, refletindo as liberdades dietéticas cristãs que distinguem Flores de grande parte da Indonésia muçulmana. O peixe grelhado com dabu-dabu (um sambal fresco de tomates, cebolas e limão) é o alimento diário nos warungs à beira-mar, enquanto a ubi e o jagung complementam o arroz na dieta tradicional. O café de Flores, cultivado nas terras altas e processado utilizando métodos tradicionais, produz uma xícara de notável profundidade e complexidade que está começando a ganhar reconhecimento internacional.
O ambiente marinho ao redor de Maumere está entre os melhores da Indonésia. Os recifes que margeiam a baía, que se recuperaram notavelmente desde o terremoto de 1992, abrigam uma diversidade impressionante de espécies de corais, nudibrânquios e peixes de recife. Os montes submarinos e as paredes ao largo atraem visitantes pelágicos maiores — tubarões, raias e golfinhos — enquanto as correntes suaves tornam muitos locais adequados tanto para snorkel quanto para mergulhadores iniciantes. No interior, a estrada em direção a Ende e Kelimutu — o vulcão sagrado cujos três lagos crateras mudam de cor de forma independente — é uma das mais espetaculares de toda a Indonésia.
Maumere possui um pequeno aeroporto comercial com voos para Bali e Kupang. Os navios de cruzeiro ancoram ao largo e transportam os passageiros até o píer da cidade. A estação seca, de abril a novembro, oferece as condições mais confortáveis tanto para mergulho quanto para exploração terrestre, sendo os meses mais secos tipicamente julho e agosto. Maumere não é um destino turístico polido — a infraestrutura é básica e o inglês é limitado — mas oferece uma autenticidade e uma calorosa recepção que os cantos mais desenvolvidos da Indonésia às vezes têm dificuldade em igualar.