Irlanda
Foynes é uma pequena cidade na margem sul do Estuário do Shannon, no Condado de Limerick, Irlanda, cujo lugar na história da aviação é tão improvável quanto significativo. Entre 1937 e 1945, Foynes serviu como o terminal oriental para os serviços de hidroaviões transatlânticos — os hidroaviões que conectavam a Europa e a América do Norte antes que o desenvolvimento de aeronaves terrestres de longo alcance os tornasse obsoletos. A Pan American, a BOAC e a Air France operavam a partir do porto de Foynes, com seus enormes hidroaviões — Clippers, Sunderlands e Latecoires — pousando nas águas abrigadas do estuário para reabastecer e trocar passageiros, correspondências e cargas.
O Museu do Barco Voador e Marítimo de Foynes, instalado no edifício original do terminal, é uma homenagem notável a esta era dourada da aviação. O museu abriga uma réplica em tamanho real de um Boeing 314 Clipper — a luxuosa aeronave na qual os passageiros cruzavam o Atlântico em cabines de dormir, desfrutavam de refeições de sete pratos e relaxavam em um bar lounge enquanto a costa irlandesa desaparecia abaixo. A sala de controle, a estação meteorológica e a sala de rádio foram preservadas em seu estado original, oferecendo uma vívida sensação dos desafios operacionais da aviação transatlântica da década de 1930.
Foynes também se orgulha de ser o berço do café irlandês. Numa noite miserável de 1943, segundo a história, um grupo de passageiros chegou a Foynes encharcado e congelado após seu barco voador da Pan American ser forçado a retornar devido ao mau tempo. O chef principal, Joe Sheridan, preparou um café com uísque irlandês e coberto de creme para aquecê-los. Quando um passageiro perguntou se era café brasileiro, Sheridan respondeu: "Não, isso é café irlandês." O museu serve a receita original, e o anual Festival do Café Irlandês de Foynes celebra a invenção com o entusiasmo que ela merece.
O Estuário de Shannon, onde se localiza Foynes, é uma das grandes vias navegáveis naturais da Irlanda — uma entrada tidal de 100 quilômetros que abriga populações de golfinhos-nariz-de-garrafa (uma das apenas seis comunidades residentes na Europa), focas e uma diversidade de aves. Passeios de barco a partir da próxima Kilrush, no lado de Clare, oferecem uma excelente oportunidade para observar golfinhos, enquanto as planícies de lama e os pântanos salinos do estuário atraem aves de pernas longas em números significativos durante as migrações de outono e primavera.
Foynes é acessível por pequenos cruzeiros ou embarcações de expedição que navegam pelo Estuário de Shannon. O porto, embora modesto, pode acomodar operações de tender. A cidade está a 30 minutos de carro da cidade de Limerick. A melhor época para visitar é de maio a setembro, quando o clima ameno do Atlântico está em sua forma mais cooperativa e o museu e seus arredores estão plenamente operacionais. Foynes é um destino que desafia as expectativas — uma pequena cidade irlandesa que, por alguns anos extraordinários, esteve na interseção de continentes e conectou o velho mundo ao novo com nada mais do que uma pista feita de água.