
Itália
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Ancona agarra-se a um promontório em forma de cotovelo — gomito em italiano — que se projeta no Mar Adriático, e é essa geografia distintiva que deu à cidade seu nome grego: Ankón, que significa "cotovelo". Fundada por colonos de Siracusa no século IV a.C., Ancona passou dois milênios e meio como um cruzamento entre a Itália e o Mediterrâneo oriental, um portal marítimo onde imperadores romanos embarcavam para a Dalmácia, cruzados navegavam em direção à Terra Santa e mercadores venezianos trocavam sedas e especiarias. Hoje, continua a ser a capital da região das Marcas e o principal porto, uma cidade em funcionamento com o tipo de autenticidade vivida que os destinos turísticos mais visitados da Itália há muito sacrificaram.
O coração de Ancona é a colina de Guasco, coroada pela Catedral de San Ciriaco — uma obra-prima românica-gótica cuja fachada de mármore rosa contempla o porto de uma posição de serena autoridade. O Arco de Trajano, erguido em 115 d.C. para homenagear o imperador que expandiu o porto, ainda se ergue na entrada do porto, sendo um dos arcos triunfais romanos mais bem preservados que existem. Entre a catedral e o porto, a cidade antiga desce em cascata por um labirinto de ruas estreitas, palácios renascentistas e pequenas praças onde os ritmos diários da vida marchigiana se desenrolam — um espresso no bar da esquina, massa fresca na trattoria do bairro, a passeggiata ao entardecer ao longo da Mole Vanvitelliana, um elegante lazareto pentagonal projetado por Luigi Vanvitelli no século XVIII.
As Marcas são uma das regiões gastronômicas mais subestimadas da Itália, e Ancona está no coração de sua cultura culinária. O prato assinatura da cidade é o brodetto all'anconetana, um rico ensopado de peixe feito com treze variedades de frutos do mar adriáticos cozidos lentamente com tomate, vinagre e açafrão — cada restaurante guarda sua receita com feroz orgulho. As azeitonas all'ascolana, azeitonas recheadas e fritas da vizinha Ascoli Piceno, são o aperitivo mais famoso da região, enquanto o ciauscolo, um salame macio e espalhável único das Marcas, é melhor apreciado sobre pão morno com um copo de Verdicchio dei Castelli di Jesi — o vinho branco crocante e mineral que é o cartão de visita vinícola da região.
A costa das Marcas, ao norte e ao sul de Ancona, oferece algumas das praias mais belas e menos lotadas da Itália. A Riviera do Conero, um dramático trecho de falésias de calcário e enseadas escondidas logo ao sul da cidade, é ancorada pelo Monte Conero, um promontório de 572 metros que mergulha em águas de clareza caribenha. As praias de Portonovo, Mezzavalle e as formações rochosas das Due Sorelle (Duas Irmãs) são acessíveis por barco ou por uma trilha íngreme, recompensando o esforço com um mergulho cristalino longe das multidões que lotam a Costa Amalfitana. No interior, as cidades medievais de Urbino (local de nascimento de Rafael), Loreto (lar de um dos santuários mais importantes do catolicismo) e as misteriosas Grutas de Frasassi — uma vasta catedral subterrânea de estalactites e estalagmites — estão todas a uma distância ideal para uma viagem de um dia.
Ancona é servida pela MSC Cruises e pela Marella Cruises em seus itinerários pelo Adriático e Mediterrâneo. O terminal de cruzeiros está localizado no centro, a uma curta distância da cidade antiga, da catedral e da orla. O melhor período para visitar é de maio a outubro, com junho e setembro oferecendo a combinação ideal de clima ameno, multidões gerenciáveis e o espectro completo da culinária marchigiana em sua melhor época. Ancona é o tipo de porto italiano que recompensa aqueles que olham além do óbvio — uma cidade com profundidade genuína, comida extraordinária e uma costa que seria mundialmente famosa se pertencesse a qualquer outro país.

