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Itália

Galatina

No calçado de calcário ensolarado da bota da Itália, onde os mares Adriático e Jônico são separados por uma estreita península de pomares de oliveiras e arquitetura barroca, a pequena cidade de Galatina abriga um dos mais surpreendentes tesouros artísticos do sul da Itália — e uma de suas mais enigmáticas tradições folclóricas. Esta tranquila cidade pugliese de 27.000 habitantes, localizada a 20 quilômetros ao sul de Lecce na região do Salento, seria notável apenas por sua paisagem urbana: palácios de pedra tufa de cor mel, varandas de ferro forjado adornadas com pimentões secando ao sol, e praças onde homens idosos jogam cartas à sombra de antigas figueiras. Mas é o que se encontra dentro da Basílica de Santa Caterina d'Alessandria que eleva Galatina de encantadora a extraordinária.

A Basílica, uma igreja franciscana do século XIV, abriga o ciclo de afrescos medievais mais extenso do sul da Itália fora de Assis — e alguns historiadores da arte argumentam que rivalizam com o ciclo de Giotto em poder narrativo, se não em refinamento técnico. Cobrir todas as superfícies da nave, corredores e capelas, as pinturas retratam cenas do Gênesis, do Apocalipse e da vida de Santa Catarina com uma energia vívida, quase de quadrinhos: demônios são verdes e fazem caretas, santos brilham com auréolas douradas, e os condenados caem no inferno com expressões de terror autêntico. Os afrescos foram encomendados pela família Orsini del Balzo, os senhores feudais de Galatina, e concluídos entre 1391 e 1420 — tornando-os contemporâneos do início do Renascimento em Florença, mas estilisticamente enraizados em uma tradição bizantino-gótica única do Salento.

Galatina é também o centro histórico do tarantismo — o ritual de dança extática que outrora era realizado para curar a picada da aranha tarântula. Durante séculos, mulheres (e ocasionalmente homens) que haviam sido picados — ou que afirmavam ter sido picados, sendo a evidência médica secundária à função social e psicológica do rito — dançavam por horas ou dias ao frenético ritmo da pizzica, acompanhadas por pandeiros e violinos, até que o "veneno" fosse expurgado de seus corpos. A capela de São Paulo em Galatina era o destino de peregrinação para os tarantate, e os últimos casos documentados do ritual ocorreram tão recentemente quanto na década de 1960. Hoje, a pizzica continua a viver como a música e dança folclórica emblemática do Salento, apresentada no festival anual Notte della Taranta, que atrai centenas de milhares para a região a cada agosto.

A culinária de Galatina e do amplo Salento é a essência da cucina povera elevada à arte. O rustico leccese — um pastel folhado recheado com bechamel, mozzarella e tomate — é o lanche de rua amado da região. O ciceri e tria, um prato de grão-de-bico e tiras de massa frita, remonta à antiga Roma. O pasticciotto, uma massa quebrada recheada com creme de baunilha e assada até a perfeição dourada, é o café da manhã preferido em todo o Salento e inspirou uma devoção quase religiosa entre os locais. Os vinhos da região — primitivo e negroamaro — são tintos ousados, banhados pelo sol, que complementam os sabores robustos da cozinha local.

Galatina é visitada pela Tauck em itinerários pela Puglia e sul da Itália como uma excursão a partir dos portos de cruzeiro do Adriático. A melhor época para visitar é de abril a junho e de setembro a outubro, quando o intenso calor do verão salentino se moderou e os olivais, vinhedos e as ruas barrocas são banhados pela luz lateral e quente que torna a Puglia uma das regiões mais fotogênicas da Itália.