
Itália
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Em um país transbordando de cidades celebradas, Lucca permanece como um dos segredos mais bem guardados da Toscana — uma cidade renascentista murada de tal preservação extraordinária e elegância silenciosa que parece menos um destino turístico e mais um segredo lindamente mantido, compartilhado entre aqueles que têm a sorte de descobri-la. Seu anel de muralhas renascentistas, único na Itália por sua integridade, foi transformado em um calçadão arborizado que circunda a cidade antiga como uma coroa verde — um parque elevado de quatro quilômetros onde os locais correm, pedalam e passeiam acima de telhados que pouco mudaram desde que Puccini nasceu aqui em 1858.
Dentro das muralhas, Lucca revela-se como uma cidade de torres, igrejas e praças de notável harmonia. A Piazza dell'Anfiteatro, construída sobre os alicerces de um anfiteatro romano, preserva a forma elíptica original em um anel de casas medievais pintadas em quentes ocres e vermelhos toscanos — um dos espaços públicos mais fotografados e mais íntimos da Itália. A catedral de San Martino abriga o Volto Santo, um crucifixo de madeira lendário venerado desde o século VIII, enquanto a igreja de San Michele in Foro eleva sua fachada românica ornamentada acima do antigo fórum romano com uma exuberância que beira o teatral.
As tradições culinárias de Lucca estão enraizadas na abundância agrícola das planícies circundantes de Lucchesia. A sopa de farro — o antigo grão cozido lentamente com feijões e vegetais — é o prato reconfortante que define a cidade, enquanto os tordelli lucchesi, uma massa em forma de meia-lua recheada com carne e servida em ragu, representam o lado mais rico da mesa local. O azeite extra virgem das colinas de Lucca está entre os mais valorizados da Toscana, sua cor verde-dourada e o final picante transformando até mesmo o pão e a salada mais simples em uma experiência gastronômica. O buccellato, um pão doce em forma de anel salpicado com passas e anis, é a pastelaria emblemática de Lucca desde o século XV e ainda é assado pela histórica pasticceria perto da catedral.
O campo circundante amplifica imensamente o apelo de Lucca. O vale da Garfagnana, que se estende para o norte nas Montanhas Apuanas, oferece trilhas por florestas de castanheiros, vilarejos medievais em colinas e as dramáticas pedreiras de mármore que abasteceram Michelangelo. As vilas da Lucchesia — grandiosas propriedades renascentistas e barrocas cercadas por jardins formais — constituem um dos tesouros culturais mais subestimados da Toscana, com a Villa Reale, a Villa Mansi e a Villa Torrigiani, cada uma oferecendo uma interpretação distinta do ideal do jardim italiano. Os entusiastas do vinho podem explorar a emergente Colline Lucchesi DOC, cujos tintos e brancos estão ganhando reconhecimento ao lado das mais famosas denominações de Chianti e Montalcino.
Lucca é mais comumente visitada como uma excursão de um dia a partir do porto de Livorno (aproximadamente uma hora de carro) ou como parte de programas de turismo na Toscana conectados a chamadas de cruzeiros em La Spezia ou Piombino. A cidade é totalmente caminhável e melhor explorada a pé, embora alugar uma bicicleta para pedalar sobre as muralhas seja praticamente obrigatório. A primavera (abril a junho) e o outono (setembro a outubro) oferecem as temperaturas mais confortáveis e a luz mais atmosférica sobre os edifícios de pedra dourada. O verão é quente, mas suportável nas ruas sombreadas, e o Festival Puccini em julho e agosto acrescenta uma dimensão musical a uma cidade já lírica.








