Itália
No extremo sudeste da Sicília, onde a ilha atinge seu ponto mais próximo da costa africana — Malta fica a apenas noventa quilômetros ao sul, e as costas da Líbia e da Tunísia reluzem nos dias mais claros — Pozzallo é uma pequena cidade pesqueira que se desenvolveu silenciosamente em uma das paradas mais autênticas e gratificantes da costa menos visitada da Sicília. Este é o Val di Noto, uma região moldada por um terremoto catastrófico em 1693 e reconstruída em uma explosão de criatividade barroca que produziu algumas das cidades mais belas da Itália.
A orla de Pozzallo é ancorada pela Torre Cabrera, uma imponente torre de vigia do século XV, construída pela família Cabrera para proteger contra os piratas da Barbária que aterrorizavam a costa siciliana por séculos. A torre, recentemente restaurada, abriga agora um pequeno museu e oferece vistas sobre o porto em direção à ampla praia de areia que se estende para leste — uma das várias praias encantadoras ao longo desta costa que permanecem notavelmente pouco frequentadas em comparação com as costas saturadas de turistas do nordeste da Sicília. A própria cidade é modesta e despretensiosa, com sua grade de ruas do século XIX ladeadas por edifícios de baixa altura, restaurantes familiares e aquele tipo de mercado diário onde avós ainda discutem sobre o preço dos alcachofras.
As cidades barrocas do Val di Noto, listadas como Patrimônio Mundial da UNESCO, são a maior atração nas proximidades de Pozzallo. Noto, a trinta minutos ao norte, é a obra-prima indiscutível — seu Corso Vittorio Emanuele central cria uma procissão teatral de igrejas, palácios e conventos de calcário dourado que parecem brilhar com uma luz interior, especialmente nos tons quentes do final da tarde. Modica, incrustada em um desfiladeiro dramático, é famosa por sua antiga tradição de fabricação de chocolate — uma técnica herdada dos astecas através dos espanhóis, produzindo um chocolate granulado e intensamente saboroso, diferente de qualquer outro na Europa. Ragusa Ibla, uma joia no topo da colina, oferece a grandiosidade barroca em um cenário mais íntimo, com seus palácios restaurados agora abrigando restaurantes e hotéis boutique.
A culinária do sudeste da Sicília é a mais rica e refinada da ilha. Os ingredientes são extraordinários — tomates-cereja de Pachino, camarões vermelhos de Mazara del Vallo, pistaches de Bronte, amêndoas de Avola — e os chefs locais os tratam com um respeito que resulta em pratos de notável pureza. Arancini (bolinhos de arroz recheados), massa com sardinhas e erva-doce selvagem, e as elaboradas doces das padarias e mosteiros da região representam uma tradição culinária que a UNESCO poderia muito bem inscrever ao lado da arquitetura.
O porto de Pozzallo abriga ferries para Malta e embarcações de cruzeiro menores, enquanto navios maiores ancoram em alto-mar. A cidade é acessível a partir do aeroporto de Catania (aproximadamente noventa minutos de carro) e serve como uma excelente base para explorar o Val di Noto. A melhor época para visitar é de abril a junho e de setembro a outubro, quando o calor é suportável e a luz é a mais lisonjeira para as fachadas barrocas. Julho e agosto trazem calor intenso, mas também a cultura de praia mais vibrante e a passeggiata noturna ao longo da orla.