
Itália
Venice (Fusina), Italy
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Veneza dispensa apresentações, mas nunca deixa de surpreender. Ao se aproximar da cidade pelo porto industrial de Fusina, a transição é uma das mais dramáticas de todos os cruzeiros: o plano e prosaico Vêneto dá lugar à lagoa cintilante, e de repente o campanário de São Marcos, as cúpulas da Basílica e a fachada cor-de-rosa do Palácio dos Doges se materializam como uma miragem sobre as águas. Esta é uma cidade que nasceu de forma improvável em 118 ilhas, entrelaçadas por mais de 400 pontes, e sustentada por mil anos por uma república cujos príncipes mercantes ergueram palácios que ainda definem a palavra magnífico. Chegar por água — como todo veneziano um dia fez — é entender Veneza em seus próprios termos.
O Grande Canal continua a ser o maior bulevar do mundo. Traçado em uma sinuosa curva em S pelo coração da cidade, é ladeado por palácios bizantinos, góticos e renascentistas cujos reflexos ondulam nas águas verde-jade abaixo. Embarque em um vaporetto na Piazzale Roma e percorra toda a sua extensão: passando pelo Fondaco dei Turchi, pela loggia delicada da Ca' d'Oro, sob a Ponte Rialto com seu movimentado desfile de pequenas lojas, e seguindo até a Accademia e o esplendor barroco de Santa Maria della Salute. Desembarque em San Marco e deixe a Piazza engolir você por completo — Napoleão a chamou de a sala de estar da Europa, e em uma noite iluminada pela lua, com a orquestra tocando no Caffè Florian, a descrição parece uma subestimação.
A tradição culinária de Veneza é inspirada na lagoa e no mar, refletindo a elegância da própria cidade. Os cicchetti — a resposta veneziana às tapas — são melhor apreciados em pé, ao balcão de um bacaro, acompanhados de um copo de Prosecco espumante ou uma pequena ombra de vinho local. Experimente as sarde in saor (sardinhas em uma marinada agridoce de cebola), o baccalà mantecato (bacalhau batido) e as moeche, os caranguejos de casca mole colhidos apenas durante breves janelas sazonais e fritos até uma perfeição crocante. Para uma refeição sentada, procure o risotto al nero di seppia, o dramático risoto de tinta de lula que é tão fotogênico quanto saboroso, ou o fegato alla veneziana, fígado de vitela macio com cebolas caramelizadas — um prato que enriquece as mesas venezianas desde o Renascimento.
Além do circuito bem trilhado de San Marco e do Rialto, Veneza recompensa o viajante curioso. Pegue o vaporetto para Murano e assista aos mestres vidreiros moldando cristal derretido em formas fantásticas, depois continue para Burano, onde casas pintadas em todos os tons do arco-íris alinham-se a canais que mal são mais largos que uma gôndola. A ilha de Torcello, o mais antigo assentamento de Veneza, oferece os assombrosos mosaicos bizantinos de sua catedral e um silêncio que parece quase sagrado. De volta às ilhas principais, o bairro de Dorsoduro entrega o tesouro da pintura veneziana nas Gallerie dell'Accademia — Bellini, Titian, Tintoretto — e a Coleção Peggy Guggenheim, onde obras-primas do século XX habitam um palácio inacabado à beira do Grande Canal.
Veneza Fusina é servida por uma invejável lista de linhas de cruzeiro de luxo, incluindo Azamara, Explora Journeys, Oceania Cruises, Regent Seven Seas Cruises, Silversea e Viking. Do terminal de Fusina, barcos de água transportam os passageiros através da lagoa até o coração da cidade em aproximadamente trinta minutos — uma travessia que se transforma em um dos deslocamentos mais cênicos que se pode imaginar. Os melhores períodos para visitar são de abril a junho e de setembro a novembro, quando a luz é quase pictórica, as multidões se tornam escassas e a lagoa adquire uma tranquilidade quase sobrenatural. Veneza, apesar de toda a sua fama, ainda guarda segredos para aqueles dispostos a vagar além do óbvio.

