Japão
Fuji Hakone Izu National Park
Abrangendo o coração montanhoso ao sul de Tóquio, onde picos vulcânicos emergem de encostas florestadas e fontes termais brotam da turbulência geológica do Cinturão de Fogo do Pacífico, o Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu abriga o mais icônico marco natural do Japão e uma das paisagens recreativas mais amadas do país. O Monte Fuji — com 3.776 metros, o pico mais alto do Japão — domina o parque e a consciência nacional com um cone vulcânico simétrico tão perfeitamente proporcionado que tem inspirado artistas, poetas e peregrinos por séculos. As Trinta e Seis Vistas do Monte Fuji de Hokusai e inúmeras gravuras ukiyo-e tornaram esta montanha uma das silhuetas mais reconhecidas da Terra.
O caráter do parque muda dramaticamente através de suas três regiões distintas. A região de Fuji centra-se na própria montanha e nos Cinco Lagos (Fujigoko) que refletem sua imagem em dias calmos. A região de Hakone, uma caldeira vulcânica a noventa minutos de Tóquio, oferece uma paisagem de vales fumegantes, antigas florestas de cedro e o Lago Ashi, onde barcos de vela tradicionais e portões torii criam cenas de uma paisagem japonesa perfeita para cartões-postais. A Península de Izu se estende para o sul no Pacífico, sua costa alternando entre penhascos rochosos, praias de areia e vilarejos de pescadores que preservam a atmosfera do Japão pré-moderno.
As tradições culinárias da região do parque são inspiradas tanto nas montanhas quanto no mar. Os ryokans de Hakone — pousadas tradicionais — servem elaboradas refeições kaiseki que elevam ingredientes sazonais ao nível de arte comestível: peixes de água doce provenientes de riachos montanhosos, vegetais silvestres colhidos do chão da floresta e tofu preparado com a suave água mineral vulcânica que confere à culinária de Hakone seu caráter distintivo. A Península de Izu é famosa por seus frutos do mar — kinmedai (snapper olho dourado), ise-ebi (lagosta espinhosa) e o wasabi cultivado nas frias e limpas correntes da península, considerado o melhor do Japão. A cultura onsen (fontes termais) da região acrescenta uma dimensão sensorial à experiência gastronômica: o ritual de banhar-se em água mineral vulcânica antes de um jantar kaiseki constitui um dos prazeres mais refinados do Japão.
O patrimônio das fontes termais do parque conecta-se a uma história geológica que ainda está em plena evolução. O vale Owakudani, em Hakone, onde gases vulcânicos ainda emergem de ventos sulfúricos e os famosos ovos pretos — kuro-tamago, cozidos em águas termais até que suas cascas se tornem negras — são vendidos a visitantes que acreditam que cada um deles acrescenta sete anos à sua vida. A atividade geotérmica da Península de Izu alimenta centenas de instalações de onsen, desde spas de luxo em resorts até rústicas banheiras rotenburo ao ar livre, empoleiradas em penhascos acima do Pacífico.
O Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu é acessível a partir de Tóquio de trem em menos de duas horas. Passageiros de cruzeiros que desembarcam em Shimizu ou Yokohama podem chegar ao parque por meio de excursões de ônibus. A temporada de escalada do Monte Fuji vai de julho a setembro, quando as trilhas da montanha e as instalações do cume estão abertas. A primavera traz flores de cerejeira à região dos Cinco Lagos, o outono transforma as florestas de Hakone em uma tapeçaria de vermelho e dourado, e o inverno oferece as vistas mais claras do pico coberto de neve do Fuji. Cada estação apresenta uma expressão diferente da relação entre natureza, cultura e espiritualidade que define o parque nacional mais importante do Japão.