
Japão
10 voyages
Poucas cidades no Japão equilibram a antiga tradição e a modernidade com tanta graça quanto Matsuyama, a maior cidade da ilha de Shikoku e um lugar onde os rituais de banhos, poesia e contemplação foram refinados ao longo de milênios. Dogo Onsen, a joia da coroa da cidade, é considerada a fonte termal mais antiga do Japão — suas origens remontam a cerca de três mil anos, com referências aparecendo no Kojiki, o mais antigo registro histórico da nação. A ornamentada casa de banhos de madeira, construída em 1894, inspirou o cenário fantástico de A Viagem de Chihiro, de Miyazaki, e atravessar sua entrada é adentrar um mundo onde o tempo se move de acordo com os ritmos do vapor ascendente e da água corrente.
O Castelo de Matsuyama preside sobre a cidade do alto do Monte Katsuyama, um dos apenas doze castelos originais que permanecem no Japão. Acessível por teleférico ou por uma agradável caminhada em meio a bosques de cerejeiras — que explodem em nuvens de rosa deslumbrantes a cada abril — a fortaleza recompensa a subida com vistas deslumbrantes sobre telhados de terracota até o cintilante Mar Interior de Seto.
Dentro, a coleção abrange armaduras de samurais, caligrafia e armamentos, mas a maior atração do castelo é o próprio panorama, que se estende por ilhas e vias navegáveis que serviram como a rodovia marítima do Japão por séculos.
A cidade está intimamente ligada à literatura japonesa. Matsuyama foi o berço de Masaoka Shiki, o poeta que revolucionou o haiku no final do século XIX, e do romance Botchan, de Natsume Soseki, cujo narrador irreverente conferiu à cidade uma identidade literária duradoura. Caixas de correio em forma de haiku pontilham as ruas, e um festival anual de haiku atrai poetas de todo o mundo. Os prazeres culinários são igualmente refinados: as tortas de Matsuyama — delicados rolinhos de esponja recheados com pasta de feijão vermelho — são uma especialidade local desde o século XVII, enquanto o botchan dango, bolinhos de arroz tricolores, fazem a companhia perfeita a uma xícara de matcha em uma casa de chá com vista para o fosso do castelo.
Shikoku em si é uma revelação para os viajantes dispostos a se aventurar além dos circuitos bem trilhados do Japão. O Shimanami Kaido, uma rota de ciclismo de sessenta quilômetros que conecta Shikoku a Honshu através de uma cadeia de pontes que atravessam o Mar Interior de Seto, começa logo ao norte de Matsuyama e está entre os passeios de bicicleta mais espetaculares do mundo. Mais perto da cidade, o Templo Ishite-ji — a cinquagésima primeira estação da famosa peregrinação dos oitenta e oito templos de Shikoku — deslumbra com suas elaboradas esculturas e passagens de caverna atmosféricas.
O porto de cruzeiros de Matsuyama, localizado no Porto Externo de Matsuyama, está bem conectado ao centro da cidade por meio de um ônibus de transporte. O clima ameno do Mar Interior de Seto torna o porto agradável durante todo o ano, embora as flores de cerejeira na primavera, em março e abril, e a suave luz do outono em outubro e novembro sejam especialmente mágicas. Compacta e acessível para caminhadas, Matsuyama oferece o raro luxo de vivenciar uma cidade japonesa profundamente cultural e sem pressa, longe da escala avassaladora de Tóquio ou Osaka.
