México
Antes que o governo mexicano conjurasse a cidade resort de Ixtapa a partir de pomares de coco na década de 1970, Zihuatanejo era simplesmente uma vila de pescadores em uma baía perfeitamente abrigada — um lugar onde o tempo se movia à velocidade da maré e a maior ambição era pescar sierra e dorado suficientes para o jantar. Esse caráter essencial sobrevive. Enquanto as torres de hotéis de Ixtapa brilham a apenas cinco quilômetros ao longo da costa, Zihuatanejo mantém a alma de um pueblo pesqueiro mexicano: seu calçadão à beira-mar ainda zune com pescadores consertando redes, seu mercado municipal ainda transborda de produtos frescos e flores, e seus bairros nas colinas ainda se precipitam em direção à baía em um emaranhado de telhados de terracota e paredes cobertas de buganvílias.
A Baía de Zihuatanejo é um dos portos naturais mais perfeitamente formados na costa do Pacífico do México — uma profunda enseada em forma de ferradura, protegida do oceano aberto por penhascos rochosos. Cinco praias se curvam ao redor da baía, cada uma com seu próprio caráter: a Playa Principal, a praia da cidade, agita-se com barcos de pesca e restaurantes à beira-mar; a Playa La Ropa, a mais longa e bela, se estende ao longo da costa oriental da baía sob um dossel de coqueiros; e a Playa Las Gatas, acessível apenas por táxi aquático, oferece alguns dos melhores mergulhos com snorkel na Riviera Mexicana sobre um quebra-mar de pedra pré-colombiana, que se diz ter sido construído pelo rei Purepecha Caltzonzin.
A comida em Zihuatanejo é a autêntica culinária da Costa Grande — despretensiosa, fresca e baseada na pesca diária. Tiritas — tiras de peixe cru marinadas em suco de limão com cebola e pimenta — são a resposta de Zihuatanejo ao ceviche, encontradas em cada palapa à beira da praia. Pescado a la talla — peixe inteiro aberto, esfregado com pasta de pimenta e grelhado sobre brasas de madeira de mangue — é o prato assinatura da região, com seus sabores defumados e picantes capturando a essência da cozinha mexicana do Pacífico. No Mercado Central, os vendedores preparam tacos de pescado, tamales e pozole ao lado de barracas que vendem pimenta seca, tortillas frescas e as frutas tropicais — mangas, papaias, guanábanas — que prosperam no calor costeiro.
Além da baía, a costa da Costa Grande oferece praias de beleza selvagem e indomada. A Playa Larga, estendendo-se por milhas ao norte de Ixtapa, é um vasto e vazio crescente de areia açoitado pelas ondas do Pacífico. A lagoa Barra de Potosí, ao sul de Zihuatanejo, é um estuário cercado por manguezais, lar de centenas de espécies de aves — atuns, colhereiros rosados, garças e martinetes — acessível por meio de passeios de barco. Durante os meses de inverno (dezembro a março), as baleias jubarte migram pelas águas costeiras, e as tartarugas marinhas fazem seus ninhos nas praias da região, com programas de conservação recebendo voluntários para o monitoramento noturno dos ninhos.
Os navios de cruzeiro ancoram na Baía de Zihuatanejo e transportam os passageiros até o píer municipal, a poucos passos do calçadão à beira-mar e do coração da cidade. O clima é tropical, com uma estação seca de novembro a maio que oferece condições ideais — céus limpos, temperaturas amenas e mares tranquilos. A estação chuvosa (de junho a outubro) traz tempestades à tarde e colinas verdejantes, mas pode ocasionalmente interromper as escalas no porto. Zihuatanejo perdura como o México que muitos viajantes sonham, mas poucos encontram — uma autêntica vila de pescadores onde o ritmo é suave, a comida é magnífica e a baía brilha como uma taça de ouro líquido sob o sol do Pacífico.