
Marrocos
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Fundada por pescadores berberes como o modesto assentamento de Anfa no século VII, Casablanca suportou a destruição portuguesa em 1468, apenas para renascer sob o Sultão Mohammed ben Abdallah no século XVIII como Dar el Beida — a Casa Branca. A era do protetorado francês, que começou em 1912, transformou este posto costeiro no motor econômico do Marrocos, legando um notável legado de arquitetura mauresca que fundiu o art déco parisiense com a geometria islâmica tradicional. Hoje, quase seis milhões de habitantes povoam uma metrópole que pulsa com a ambição de uma cidade que se reinventa perpetuamente, enquanto honra as camadas de civilização gravadas em seus boulevards.
Linhas imortais da tela prateada podem ter gravado uma imagem quente e sépia do antigo Casablanca em nossa imaginação coletiva, mas a cidade viva resiste à nostalgia com um passo confiante em direção ao contemporâneo. A Mesquita Hassan II — seu minarete elevando-se a duzentos e dez metros acima do Atlântico, a mais alta estrutura religiosa da África — ergue-se como um monumento à audácia arquitetônica do Marrocos, seu piso de vidro italiano revelando o oceano que se agita sob o salão de oração. Ao longo da Corniche, fachadas brancas em art déco capturam a luz da tarde com uma clareza quase mediterrânea, enquanto o labiríntico Quartier Habous, construído na década de 1930 como uma "nova medina", oferece a intimidade da vida urbana tradicional marroquina sem a intensidade frenética de Marrakech. Esta é uma cidade de contrastes vestida elegantemente: onde o imponente Morocco Mall de aço e vidro encontra as escamas de cobre desgastadas da cobertura em art déco do Mercado Central.
Conhecer Casablanca é comer como seus habitantes — de pé em um balcão de mármore no Mercado Central, onde os peixeiros grelham seu pargo recém-comprado com nada mais do que carvão, sal grosso e uma fatia de limão. Procure uma tigela fumegante de *harira*, a sopa de tomate e lentilhas cozida lentamente, perfumada com canela e coentro fresco, servida ao lado de doces *chebakia* melados ao entardecer, em qualquer estação. A herança francesa da cidade vive em suas pâtisseries, onde os *cornes de gazelle* — doces de amêndoa em forma de crescente aromatizados com água de flor de laranjeira — rivalizam com qualquer iguaria da Rue du Faubourg Saint-Honoré. Para uma noite mais refinada, os restaurantes do bairro Gauthier servem uma requintada *pastilla au pigeon*, aquela impossível combinação de sabores salgados e doces envoltos em uma fina massa *warqa* e polvilhados com açúcar e canela.
A posição de Casablanca na costa atlântica de Marrocos a torna um ponto de partida ideal para expedições de variedade impressionante. Rabat, a capital imperial a apenas noventa quilômetros ao norte, recompensa um dia de exploração com sua Kasbah dos Udayas do século XII e os serenos Jardins Andaluzes que contemplam a foz do Bou Regreg. Para o sul, ao longo da costa, a cidade cerâmica de Safi tem produzido as melhores cerâmicas de Marrocos por séculos, com seus fornos nas colinas ainda funcionando de maneira tradicional. Para aqueles dispostos a se aventurar para o interior, a vila fortificada de terra vermelha de Aït Ben Haddou — um Patrimônio Mundial da UNESCO que já serviu como Jerusalém antiga, Tibete e Egito em inúmeros filmes — ergue-se do deserto como um castelo de areia esculpido por séculos de mãos berberes, enquanto a trilha para o Acampamento Base do Monte Toubkal oferece um portal para o pico mais alto da África do Norte, suas montanhas cobertas de neve um surpreendente contraponto ao calor costeiro.
As modernas instalações portuárias de Casablanca fazem dela um dos destinos de cruzeiro mais acessíveis do Marrocos, recebendo uma impressionante lista de linhas internacionais. Azamara e Viking trazem seus itinerários imersivos em destinos à porta da cidade, frequentemente combinando Casablanca com portos ibéricos e das Ilhas Canárias, enquanto Cunard e P&O Cruises incorporam a cidade em grandiosas viagens pelo Atlântico e circuitos pelo Mediterrâneo Ocidental. Princess Cruises e MSC Cruises fazem paradas regulares com embarcações maiores, oferecendo aos passageiros a escala e a variedade que atendem tanto famílias quanto novatos em cruzeiros, enquanto a Costa Cruises traz sua distinta hospitalidade italiana à costa marroquina. A Emerald Yacht Cruises, com seus íntimos iates de luxo, proporciona uma chegada mais exclusiva — os passageiros desembarcando a poucos minutos da medina, com o minarete de Hassan II já visível contra o céu atlântico.





