
Noruega
Havøysund
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A setenta e um graus ao norte, na costa castigada por tempestades de Finnmark — o condado mais ao norte da Noruega — Havøysund se agarra à ilha de Havøya como uma craca em uma rocha. Esta vila de pescadores, com cerca de mil habitantes, está bem acima do Círculo Ártico, em uma paisagem de uma beleza tão austera e desprovida de árvores que pode deixar os visitantes momentaneamente sem palavras. O terreno circundante é a pura Noruega Ártica: montanhas de granito nuas, vastas extensões de tundra e uma costa tão profundamente recortada por fiordes e sons que a distância de um ponto a outro é sempre muitas vezes maior pelo mar do que por terra.
A identidade de Havøysund é inseparável do mar. A vila tem sido uma comunidade pesqueira desde tempos imemoriais, e o caranguejo-real — uma espécie invasora que migrou das águas russas na década de 1960 — se tornou sua mina de ouro moderna. Esses enormes crustáceos, com envergaduras de pernas que ultrapassam um metro, são capturados nas águas geladas do Mar de Barents e transformaram a economia local. Safáris de caranguejo-real, onde os visitantes se juntam a pescadores para puxar armadilhas e depois se deliciar com a captura recém-cozida, tornaram-se uma das experiências culinárias mais populares da Noruega Ártica.
O ambiente natural que cerca Havøysund é extraordinário, mesmo pelos padrões noruegueses. O Penhasco das Aves de Havøysund, uma das colônias de aves marinhas mais ao norte da Noruega, abriga milhares de papagaios-do-mar, guilhamas e francelhos durante a temporada de reprodução. As águas costeiras estão entre os mais ricos bancos de pesca do Ártico, atraindo não apenas barcos de pesca, mas também baleias — baleias-jubarte e baleias-de-barbatana são frequentemente avistadas da costa durante os meses de verão. No inverno, as luzes do norte dançam pelo céu polar com uma intensidade raramente igualada em latitudes mais baixas, enquanto a noite polar traz semanas de crepúsculo azul que conferem à paisagem uma beleza sobrenatural.
Os Sami — os habitantes indígenas do norte da Escandinávia — estão presentes nesta região há milhares de anos, e sua cultura de pastoreio de renas permanece visível no planalto de Finnmark, que se estende para o interior a partir da costa. A cidade de Hammerfest, situada a aproximadamente noventa minutos ao sul por estrada, ostenta o título de cidade mais ao norte do mundo e oferece o museu da Royal and Ancient Polar Bear Society e a Coluna do Meridiano, um monumento classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Mais perto de Havøysund, a própria paisagem é a atração — vasta, vazia e humilhante em sua escala.
Havøysund é uma parada regular na viagem costeira da Hurtigruten e recebe navios de cruzeiro de expedição em seu porto. A temporada de visitas se divide em duas experiências distintas: o verão (junho-agosto) traz o sol da meia-noite, com luz do dia contínua criando condições ideais para caminhadas, pesca e observação da vida selvagem; o inverno (novembro-fevereiro) oferece as luzes do norte e a atmosfera única da noite polar. A vila possui uma infraestrutura turística limitada — algumas pousadas e restaurantes — mas o que lhe falta em comodidades, compensa com uma autenticidade e uma selvageria que destinos árticos mais desenvolvidos não conseguem replicar.
