
Peru
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Cusco está a 3.400 metros nos Andes peruanos, com seus telhados de terracota e paredes incas aninhados em um vale que o povo Quechua chamou de "umbigo do mundo". É um título que a cidade conquistou. Por três séculos, Cusco foi a capital de Tawantinsuyu — o Império Inca — um domínio que se estendia da atual Colômbia ao Chile e governava dez milhões de súditos com uma precisão que impressionou os conquistadores espanhóis que o desmantelaram. Quando os homens de Francisco Pizarro chegaram em 1533, encontraram uma cidade de sofisticação impressionante: palácios revestidos de folhas de ouro, uma fortaleza de blocos de pedra megalíticos ajustados sem argamassa, e um sistema agrícola de encostas montanhosas em terraços que alimentava um império. Eles imediatamente demoliram os templos e construíram igrejas sobre suas fundações — e é essa arqueologia em camadas, a alvenaria inca sustentando o barroco colonial, que confere a Cusco seu extraordinário poder visual e emocional.
A Plaza de Armas, a praça central de Cusco, encapsula a dualidade da identidade da cidade. A Catedral, iniciada em 1559, ergue-se sobre os alicerces do palácio inca de Viracocha, seu interior um tesouro de pintura colonial — incluindo uma Última Ceia na qual Cristo e seus discípulos jantam cuy (porquinho-da-índia) e chicha (cerveja de milho). Do outro lado da praça, a Igreja da Compañía de Jesús, construída no local do palácio inca de Huayna Capac, rivaliza com a Catedral em exuberância barroca. Abaixo de ambas, a perfeita alvenaria inca — maciços blocos poligonais unidos sem argamassa de tal forma que uma lâmina de faca não pode ser inserida entre eles — permanece como uma reprimenda não dita aos conquistadores que tentaram apagá-la.
A cena culinária de Cusco passou por uma revolução. A cidade agora é reconhecida como a capital gastronômica do Peru, ao lado de Lima, e seus restaurantes se inspiram tanto na tradição andina quanto na inovação contemporânea. O cuy, assado inteiro e servido com batatas e molho ají, continua sendo a peça central cerimonial. O bife de alpaca, magro e saboroso, aparece em praticamente todos os cardápios dos restaurantes, enquanto a sopa de quinoa e o choclo con queso (milho andino gigante com queijo fresco) são os pratos reconfortantes das terras altas. O Mercado de San Pedro, um vasto bazar coberto próximo à catedral, oferece a imersão culinária mais autêntica: barracas vendendo sucos frescos, empanadas, chicharrones e a extraordinária variedade de batatas peruanas — mais de 3.000 variedades cultivadas apenas nessas montanhas.
Cusco é, sem dúvida, a porta de entrada para Machu Picchu — a cidadela inca do século XV que Hiram Bingham trouxe à atenção mundial em 1911 e que continua a deslumbrar cada visitante que emerge da floresta nublada para contemplar suas terraços, templos e observatórios astronômicos dispostos contra um pano de fundo de picos cobertos pela selva. O Vale Sagrado dos Incas, que se estende ao longo do rio Urubamba entre Cusco e Machu Picchu, é pontilhado de ruínas incas, comunidades tradicionais de tecelagem e hotéis e restaurantes cada vez mais sofisticados. Sacsayhuamán, a colossal fortaleza acima de Cusco cujas paredes em zigue-zague de pedras pesando até 200 toneladas permanecem como um dos maiores mistérios da arqueologia, é acessível a pé a partir do centro da cidade.
Cusco é incluída nos itinerários da HX Expeditions, Lindblad Expeditions, Tauck e Uniworld River Cruises, tipicamente como uma extensão pré ou pós-cruzeiro ligada a viagens pela Amazônia peruana ou pela costa do Pacífico. A altitude da cidade exige aclimatação — o chá de coca, vendido em todos os lugares, é o remédio tradicional para o soroche (mal de altitude). O melhor período para visitar é de maio a outubro, a estação seca, quando os céus andinos claros oferecem as vistas mais espetaculares dos picos circundantes e as condições de trekking mais confiáveis. Cusco não é meramente um ponto de passagem para Machu Picchu — é um destino de imensa importância histórica, cultural e culinária por si só, e merece cada hora que você puder dedicar a ela.
