
Portugal
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Coimbra é a alma intelectual de Portugal—uma cidade que tem ensinado, debatido e cantado desde o século XII, quando serviu como a primeira capital do país. A Universidade de Coimbra, fundada em 1290 e uma das mais antigas universidades em funcionamento contínuo do mundo, coroa a colina mais alta da antiga cidade, com sua Biblioteca Joanina em estilo barroco—onde 300.000 volumes estão organizados em salas decoradas com elementos chinoiserie e protegidos por uma colônia de morcegos que se alimentam dos insetos que, de outra forma, danificariam os livros—sendo considerada um dos interiores de biblioteca mais extraordinários do planeta. A UNESCO inscreveu a universidade e seu entorno histórico em 2013, reconhecendo uma paisagem que foi moldada pelo aprendizado por mais de sete séculos.
A cidade se desdobra por suas duas colinas—Alta e Baixa—até as margens do Rio Mondego, o mais longo curso d'água totalmente nacional de Portugal. As ruas da cidade velha são um labirinto de escadarias de pedra, passagens arqueadas e edifícios medievais, onde o som do fado—Coimbra possui sua própria tradição, distinta da de Lisboa, tradicionalmente cantada por estudantes do sexo masculino em capas pretas—flui de portas e pátios nas noites quentes. A Sé Velha, uma igreja românica com aparência de fortaleza, construída na década de 1160 durante a Reconquista, ancla a parte inferior da cidade velha com suas paredes creneladas e interior austero. O Museu Nacional Machado de Castro, erguido sobre um cryptoporticus romano (galeria subterrânea), abriga uma das mais finas coleções de escultura medieval de Portugal.
A culinária de Coimbra reflete as tradições centenárias da universidade e a riqueza agrícola do centro de Portugal. A cidade é famosa pelos seus doces conventuais—doces inventados por freiras nos conventos que outrora cercavam a universidade, utilizando as gemas de ovos que sobravam da produção de vinho (as claras eram usadas para clarificar o vinho do Porto). Os Pastéis de Tentúgal, delicados tubos de massa folhada recheados com creme de ovos, são a especialidade local. A cidade vizinha de Mealhada é a indiscutível capital do leitão assado, preparado em fornos a lenha e servido com fatias de laranja—um prato digno de peregrinação que atrai comensais de todo Portugal. As tabernas estudantis na cidade velha servem pratos tradicionais a preços acessíveis: chanfana (cabra cozida lentamente em vinho tinto), bacalhau (bacalhau em dezenas de preparações) e as sopas substanciais que sustentam os acadêmicos durante longas noites de estudo.
A orla do rio Mondego foi transformada em um calçadão paisagístico, com parques, cafés e a ponte pedonal Pedro e Inês conectando a antiga cidade ao moderno campus universitário na margem oposta. A história de Pedro e Inês—um trágico romance do século XIV entre um príncipe português e sua amante galega, que foi assassinada pelos conselheiros do rei e, segundo a lenda, coroada rainha após sua morte quando Pedro ascendeu ao trono—é a grande narrativa romântica de Coimbra, contada em poesia, ópera e nos elaborados túmulos góticos dos amantes na Abadia de Alcobaça, a uma hora ao sul. As ruínas romanas de Conímbriga, a dezesseis quilômetros da cidade, preservam alguns dos mais belos mosaicos romanos da Península Ibérica.
Coimbra está localizada na linha ferroviária Lisboa-Porto (aproximadamente noventa minutos de cada cidade) e pode ser incluída nos itinerários de cruzeiros pelo rio Douro como uma excursão a partir do Porto. O melhor período para visitar é de maio a outubro, sendo maio especialmente especial: a Queima das Fitas, festival estudantil no início de maio, transforma a cidade em uma celebração de uma semana do fim do ano letivo, com desfiles, música e a queima cerimonial das fitas que simbolizam cada faculdade. O outono traz ruas mais tranquilas, uma luz dourada sobre o calcário e o início do ano acadêmico, quando a população estudantil da cidade retorna e a tradição do fado é renovada.
