Santa Helena
Inaccessible Island, St Helena
Na vasta imensidão do Atlântico Sul, a mais de dois mil quilômetros do continente mais próximo, a Ilha Inacessível justifica seu nome com convicção geológica. Este remanescente vulcânico — parte do Território Britânico Ultramarino de Tristan da Cunha — ergue-se do oceano como uma fortaleza de penhascos íngremes que circundam praticamente toda a sua costa, com seu cume de planalto acessível apenas por um punhado de rotas que exigem assistência com cordas e orientação especializada. A UNESCO designou-a como Patrimônio Mundial em 1995 por sua extraordinária biodiversidade endêmica.
Os penhascos da ilha se elevam de 300 a 600 metros acima do mar, suas rochas vulcânicas escuras sendo castigadas pelas ondas do Atlântico Sul que conferiram a essas latitudes o nome de "Quarenta Rugidores". O cume do planalto, quando alcançado, revela um planalto pantanoso de gramíneas tussock, samambaias e árvores Phylica que constituem um dos ecossistemas de ilhas oceânicas mais intactos que restam na Terra. A quase total inacessibilidade que dá à ilha seu nome tem sido sua maior proteção — ao contrário da maioria das ilhas oceânicas, a Inacessível nunca teve mamíferos introduzidos, preservando relações ecológicas que foram destruídas praticamente em todos os outros lugares.
O habitante mais celebrado da ilha é o rail da Ilha Inacessível — o menor pássaro incapaz de voar do mundo, pesando apenas trinta gramas. Este pequeno e escuro pássaro evoluiu na ausência de predadores mamíferos, perdendo o poder de voo em um processo que ilustra a evolução insular com clareza de manual. O rail compartilha a ilha com espécies endêmicas de pintassilgos, tordos e vários invertebrados, criando um ecossistema de importância científica global.
As águas circundantes são igualmente ricas. Pinguins-de-penacho-norte se reproduzem nas falésias inferiores e nas costas rochosas em colônias substanciais. Focas-de-pelo subantárticas se reúnem nas poucas áreas de praia acessíveis. Albatros errantes — as maiores aves voadoras da Terra — nidificam no platô, suas envergaduras de três metros criando uma silhueta inesquecível contra o céu do Atlântico Sul.
A Ilha Inacessível é visitada por um número muito pequeno de embarcações de expedição a cada ano, tipicamente em viagens entre Cidade do Cabo e Tristan da Cunha. O desembarque é raramente possível devido aos penhascos da ilha e ao swell do Atlântico Sul — a maioria dos encontros envolve a circunavegação por navio, com passeios de Zodiac ao longo da costa onde as condições permitem. O clima é notoriamente desafiador, com ventos fortes, chuvas e neblina possíveis a qualquer momento. A breve temporada vai de outubro a março, com janeiro e fevereiro oferecendo as condições mais amenas.