
São Tomé e Príncipe
Principe
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Príncipe é uma das últimas ilhas intocadas da Terra—um ponto vulcânico no Golfo da Guiné, logo ao norte do equador, onde florestas primordiais cobrem picos irregulares, praias imaculadas estão frequentemente completamente desertas, e a população humana de aproximadamente oito mil vive em um ritmo que o mundo moderno mal perturbou. A ilha é a metade menor da República Democrática de São Tomé e Príncipe, o segundo menor país da África, e foi designada como Reserva da Biosfera da UNESCO em 2012, em reconhecimento à sua extraordinária biodiversidade e à relativa integridade de seus ecossistemas. Se você já sonhou com uma ilha que se parece com as ilhas de antes da chegada do turismo, Príncipe é essa ilha.
A paisagem é teatral. Os plugs de fonólito vulcânico—os núcleos solidificados de antigos vulcões cujas paredes externas foram erodidas—erguem-se em direção ao céu a partir do dossel da floresta como as torres de um castelo em ruínas. O Pico do Príncipe, com 948 metros, é o ponto mais alto da ilha, frequentemente envolto em nuvens. A floresta tropical que cobre a maior parte da ilha é densa, emaranhada e abriga espécies endêmicas que não podem ser encontradas em nenhum outro lugar: o tordo do Príncipe, o beija-flor do Príncipe, o tecelão dourado do Príncipe, além de dezenas de plantas e insetos endêmicos. As praias—Praia Banana (frequentemente citada como uma das mais belas da África), Praia Boi e as selvagens praias do norte—são margeadas por coqueiros e banhadas por águas mornas e cristalinas que sustentam recifes de corais e locais de nidificação de tartarugas marinhas.
A culinária do Príncipe é simples, local e extraordinária em sua frescura. O solo vulcânico da ilha produz cacau, café, frutas tropicais e especiarias com um sabor intenso. O peixe—grelhado sobre carvão ou cozido em calulu, um ensopado de peixe defumado, quiabo, azeite de dendê e verduras—é o alimento básico, pescado todas as manhãs por pescadores em canoas pintadas de cores vibrantes. Fruta-pão, banana-da-terra e taro acompanham a maioria das refeições. O cacau produzido nas roças do Príncipe (antigas plantações coloniais) é de qualidade excepcional—o chocolatier italiano Claudio Corallo estabeleceu uma operação do grão à barra na ilha que produz o que muitos conhecedores consideram um dos melhores chocolates do mundo. O café cultivado no solo vulcânico é igualmente notável.
As roças em si estão entre as características mais fascinantes da ilha. Estas antigas plantações coloniais portuguesas, algumas datando do século dezesseis, foram o motor econômico da ilha durante o boom do cacau nos séculos dezenove e vinte. Hoje, muitas estão em vários estados de decadência pitoresca — seus armazéns, hospitais, capelas e alojamentos de trabalhadores sendo lentamente reclamados pela floresta. A Roça Sundy, a mais historicamente significativa, foi onde Arthur Eddington realizou as observações do eclipse solar de 1919 que confirmaram a teoria da relatividade geral de Einstein — um marco científico comemorado por um monumento nos terrenos. Algumas roças foram restauradas como lodges boutique, oferecendo acomodações que combinam a arquitetura colonial com os sons e aromas da floresta tropical circundante.
Príncipe é alcançada por um voo de quarenta minutos a partir de São Tomé, que por sua vez conecta-se a Lisboa e várias capitais africanas. A ilha é ocasionalmente incluída em itinerários de cruzeiros de expedição ao longo da costa da África Ocidental. O melhor período para visitar é a estação seca, de junho a setembro, quando as chuvas são menores e os mares estão mais calmos—embora o clima equatorial da ilha signifique temperaturas quentes durante todo o ano. A gravana (estação seca) também coincide com as melhores condições para snorkeling e mergulho. O isolamento de Príncipe e sua infraestrutura limitada são parte de seu apelo—este é um destino para viajantes que valorizam autenticidade, biodiversidade e solidão em vez de comodidades e conveniência.
