
Tunísia
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La Goulette guarda a entrada do Lago da Tunísia, uma posição estratégica que a tornou um prêmio cobiçado para os impérios mediterrâneos desde a antiguidade. Os Habsburgo espanhóis construíram uma imensa fortaleza aqui em 1535, após Carlos V capturar Tunes do corsário otomano Barbarossa, e os restos da fortificação ainda emolduram a orla. Sob o domínio otomano a partir de 1574, La Goulette desenvolveu-se em um porto cosmopolita onde comunidades árabes, turcas, judias sefarditas, italianas e maltesas coexistiram — um mosaico cultural que persistiu bem até o século XX e cujos ecos ainda podem ser sentidos na arquitetura e na culinária da cidade.
Hoje, La Goulette funciona principalmente como o porto de cruzeiros e terminal de ferry para Túnis, a capital tunisiana que se encontra a apenas dez quilómetros do interior. A cidade mantém uma atmosfera relaxada à beira-mar, com seu calçadão à beira da água repleto de restaurantes e cafés onde os locais se reúnem para almoços descontraídos com vista para o porto. O modesto horizonte, pontuado por minaretes e os vestígios de fortificações espanholas e otomanas, oferece uma intrigante prévia das camadas históricas que aguardam em Túnis propriamente dita. O subúrbio adjacente de Sidi Bou Said, uma deslumbrante vila no topo da colina com casas caiadas de branco e icônicas portas e janelas azuis, tem atraído artistas e escritores — incluindo Paul Klee e André Gide — desde o início do século XX.
A culinária de La Goulette reflete a posição da Tunísia na encruzilhada das culturas mediterrâneas. O Brik à l'oeuf, uma crocante massa frita que envolve um ovo mole, atum, alcaparras e harissa, é o alimento de rua tunisiano por excelência e aparece em praticamente todos os cardápios dos restaurantes. O robalo grelhado e a dourada, recém-pescados do Mediterrâneo, são servidos com salada mechouia — uma mistura defumada de pimentões assados, tomates e cebolas, temperada com azeite e atum. O lablabi, uma reconfortante sopa de grão-de-bico temperada com cominho e coberta com harissa, azeite e pão rasgado, aquece as manhãs de inverno. As confeitarias da cidade exibem bandejas de makroudh, diamantes de semolina recheados com tâmaras embebidos em mel, ao lado de croissants e baguetes influenciados pela França — um delicioso lembrete da fusão cultural franco-tunisiana.
A antiga cidade de Cartago, um dos mais importantes sítios arqueológicos do Mediterrâneo, encontra-se a apenas cinco quilómetros ao norte. Fundada por colonos fenícios por volta de 814 a.C., Cartago tornou-se a grande rival de Roma antes de sua destruição em 146 a.C.; as ruínas das Termas Antoninas, o local sacrificial de Tophet e os portos púnicos oferecem uma jornada assombrosa pela antiguidade. O Museu Bardo em Túnis abriga a maior coleção de mosaicos romanos do mundo, enquanto a labiríntica medina de Túnis, um Patrimônio Mundial da UNESCO, proporciona horas de exploração através de souks que vendem perfumes, artigos de couro e tapetes tecidos à mão.
La Goulette recebe um distinto elenco de linhas de cruzeiro: Ambassador Cruise Line, Azamara, Carnival Cruise Line, Costa Cruises, Explora Journeys, Fred Olsen Cruise Lines, Holland America Line, MSC Cruises, Norwegian Cruise Line, Oceania Cruises, P&O Cruises, Regent Seven Seas Cruises, Seabourn, Silversea e Viking. Conecta-se com outros portos do Mediterrâneo Ocidental, incluindo Valeta, Palermo e Cagliari. A melhor temporada para visitação vai de abril a outubro, com a primavera e o outono oferecendo temperaturas agradáveis e menos multidões do que os quentes meses de verão.


