
Emirados Árabes Unidos
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Há pouco mais de meio século, Abu Dhabi era uma modesta vila de mergulho de pérolas, com torres de coral e cabanas de barasti ao longo de um riacho de maré. A descoberta de petróleo em 1958 sob as areias de Murban desencadeou uma das metamorfoses urbanas mais dramáticas da história, transformando um tranquilo assentamento costeiro na brilhante capital dos Emirados Árabes Unidos — uma cidade onde o patrimônio beduíno e a ambição futurista coexistem em uma tensão impressionante.
O horizonte de Abu Dhabi pode ser adornado com torres de vidro, mas sua alma reside em espaços de beleza deliberada. A Grande Mesquita Sheikh Zayed, com suas oitenta e duas cúpulas, mais de mil colunas revestidas em mármore macedônio e o maior tapete de nó manual do mundo, ergue-se como um monumento à arte islâmica que deixa até os viajantes mais experientes sem fôlego. Na Ilha Saadiyat, o Louvre Abu Dhabi — a obra-prima de Jean Nouvel com suas telas geométricas interligadas — filtra a luz do deserto em uma chuva de padrões luminosos que adornam galerias abrigando obras que vão da antiga Mesopotâmia a mestres contemporâneos. A Corniche, um calçadão à beira-mar de oito quilômetros, oferece uma beleza mais cotidiana: famílias passeando por jardins bem cuidados e lagoas turquesas enquanto dhows deslizam silenciosamente no porto além.
O cenário culinário da cidade reflete sua população cosmopolita. No mercado de peixes Mina Zayed, pescadores emiradenses descarregam a captura matinal de hammour, safi e sheri — peixes de recife que aparecem horas depois como grelhados no estilo masgouf em restaurantes tradicionais ao longo da Ilha Al Maryah. Luqaimat, bolinhos dourados regados com xarope de tâmaras e gergelim, são o doce emiradense por excelência, enquanto machboos — arroz aromático e temperado com cordeiro ou frango — ancoram as mesas familiares em todo o emirado. Os souks de Al Mina proporcionam uma imersão sensorial: montanhas de açafrão, olíbano e limas secas ao lado de barracas de têxteis tecidos e frascos de perfume ornamentados.
As possibilidades de passeios de um dia se estendem em todas as direções. A Ilha Sir Bani Yas, a uma hora e meia de carro e uma curta travessia de ferry a sudoeste, abriga uma reserva de vida selvagem onde oryx árabes, gazelas e chitas vagam livremente — um projeto de paixão do falecido Sheikh Zayed. O Oásis de Al Ain, um Patrimônio Mundial da UNESCO a duas horas a leste, revela um sistema de irrigação falaj de 3.000 anos que sombreia palmeiras datileiras sob antigas paredes de tijolos de barro. Para um gostinho do silêncio do Quartel Vazio, o Oásis de Liwa se encontra a três horas ao sul, onde dunas de terracota se elevam a trezentos metros — algumas das mais altas do mundo.
Abu Dhabi emergiu como um dos principais centros de cruzeiros do Golfo, recebendo embarcações da AIDA, Celestyal Cruises, Costa Cruises, Crystal Cruises, Explora Journeys, Hapag-Lloyd Cruises, MSC Cruises, Norwegian Cruise Line, Oceania Cruises, Regent Seven Seas Cruises, Royal Caribbean, Silversea, TUI Cruises Mein Schiff e Windstar Cruises. Os portos de chamada nas proximidades incluem Fujairah, Ilha Sir Bani Yas, Khor al Fakkan e Ras Al Khaimah. A temporada de cruzeiros de inverno, de novembro a abril, proporciona dias agradavelmente quentes na casa dos vinte e poucos graus Celsius, ideais para explorar esta cidade onde o antigo deserto encontra o Golfo Árabe.








