
Reino Unido
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Londonderry — ou Derry, como é conhecida pela maioria de seus habitantes, em uma disputa de nomenclatura que encapsula séculos de entrelaçamento entre a Irlanda e a Grã-Bretanha — é a única cidade completamente murada restante na Irlanda e um dos mais finos exemplos de uma cidade fortificada europeia. As muralhas, construídas entre 1613 e 1619 durante a Plantação da Ulster, nunca foram violadas — conferindo à cidade seu outro apelido, a "Cidade das Donzelas" — e hoje oferecem um passeio de 1,5 quilômetro que proporciona vistas panorâmicas sobre os telhados da cidade, o Rio Foyle e as ondulantes colinas verdes do Condado de Donegal além. Caminhar pelas muralhas é a experiência essencial de Derry: uma jornada por quatro séculos de história em apenas quarenta e cinco minutos.
A identidade moderna da cidade foi forjada pelos Troubles, o conflito de três décadas que dilacerou a Irlanda do Norte e deixou Derry em seu epicentro. O Bogside, um bairro nacionalista abaixo das muralhas ocidentais, foi o cenário do Domingo Sangrento em 1972, quando soldados britânicos mataram quatorze manifestantes desarmados pelos direitos civis — um evento que radicalizou uma geração e é comemorado pelo poderoso memorial Free Derry Corner e pelos murais da People's Gallery que adornam as paredes laterais da Rossville Street. O Museu de Free Derry narra essa história com uma clareza devastadora, utilizando testemunhos em primeira mão e artefatos originais para iluminar um dos capítulos mais dolorosos da história moderna britânica e irlandesa.
Derry abraçou o futuro com um renascimento cultural que a tornou uma das cidades pequenas mais emocionantes das Ilhas Britânicas. Sua designação como Cidade da Cultura do Reino Unido em 2013 catalisou investimentos em artes, música e espaços públicos, e o ímpeto continuou. A Peace Bridge, uma impressionante ponte pedonal em forma de S sobre o Foyle, projetada pelos arquitetos Wilkinson Eyre, conecta a margem oeste, tradicionalmente nacionalista, à margem leste unionista — uma ponte literal entre comunidades. O Craft Village, um encantador enclave de ateliês de artesanato e cafés dentro das muralhas, pulsa com criatividade. E a cena musical da cidade — desde as sessões tradicionais nos pubs até o aclamado Walled City Music Festival — é uma das mais ricas da Irlanda.
A cena gastronômica de Derry floresceu nos últimos anos, aproveitando os excepcionais produtos do campo circundante de Foyle e Donegal. Ostras do Lough Foyle, caranguejo de Donegal e peixes de Greencastle, capturados no porto próximo, são servidos em restaurantes que variam desde elegantes salas de jantar até descontraídos estabelecimentos de fish and chips. O Ulster Fry — aquele magnífico café da manhã da Irlanda do Norte, composto por bacon, ovos, pão de soda, pão de batata e morcela — é uma verdadeira instituição. Cervejarias artesanais e destilarias de gin proliferaram, e a tradição revivida da panificação artesanal — particularmente os pães de trigo e de soda pelos quais a região é famosa — conferiu às padarias de Derry uma reputação merecida.
A Oceania Cruises e a Windstar Cruises fazem escalas no porto de Derry, situado no rio Foyle, com navios atracando a uma curta distância da cidade murada. A localização do porto torna Derry um dos destinos de cruzeiro mais acessíveis na Irlanda — as muralhas, museus e restaurantes estão todos ao alcance a pé. Excursões diárias para a Calçada dos Gigantes, a Wild Atlantic Way e os campos de golfe de Portrush e Portstewart são facilmente organizadas. A melhor época para visitar é de maio a setembro, quando as longas noites do norte e as temperaturas amenas criam condições perfeitas para caminhar pelas muralhas e explorar esta cidade resiliente, criativa e profundamente acolhedora.
