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Na costa sul de Islay, a ilha mais ao sul das Hébridas Interiores da Escócia, Port Ellen é a porta de entrada para uma paisagem moldada por três forças elementares: turfa, mar e uísque. Esta pequena cidade portuária — nomeada em homenagem à Lady Ellenor Campbell, esposa do laird do século XIX da ilha — serve como ponto de chegada para a maioria dos visitantes de uma ilha que alcançou um status quase mítico entre os aficionados por uísque, seu nome sinônimo dos maltes únicos e defumados que estão entre os espíritos mais distintos e reverenciados do mundo.
O caráter de Port Ellen é modesto e marítimo. Casas de paredes brancas alinham-se ao longo do porto, onde o ferry da CalMac vindo de Kennacraig, no continente, atraca várias vezes ao dia. O centro comercial da cidade é pequeno — um punhado de lojas, uma agência dos correios, alguns pubs — mas sua importância como o núcleo administrativo e de transporte do sul de Islay confere-lhe uma centralidade que seu tamanho pode não sugerir. As antigas malterias de Port Ellen, que outrora forneciam cevada maltada para as destilarias da ilha, foram revitalizadas, e a própria destilaria de Port Ellen — fechada em 1983 e objeto de luto no mundo do whisky desde então — foi reconstruída e reaberta, acrescentando-se à já extraordinária constelação de produtores de single malt da ilha.
A poucos quilómetros de Port Ellen, três das destilarias mais celebradas do mundo alinham-se na costa em uma sequência que os amantes do whisky chamam de "o trio de Kildalton". Laphroaig, Lagavulin e Ardbeg — cada uma produzindo maltes únicos de intensa turfa e caráter marítimo — ocupam complexos caiados à beira da água, com suas fornalhas em forma de pagode silhuetadas contra a costa de Kildalton. As diferenças entre as três são objeto de um debate apaixonado e interminável: o caráter medicinal e de iodo de Laphroaig; a profundidade rica e xerezada de Lagavulin; a complexidade cítrica e defumada de Ardbeg. As degustações em todas as três são essenciais, e a caminhada costeira entre elas é uma das melhores trilhas curtas da Escócia.
A paisagem além das destilarias é de uma beleza austera e varrida pelo vento. A Cruz de Kildalton — uma magnífica cruz celta do século VIII que se ergue no cemitério da ruína da Capela de Kildalton — é um dos mais finos exemplos de escultura medieval inicial na Escócia. A península de Oa, que se estende ao sul de Port Ellen, apresenta um cenário dramático de falésias e o Monumento Americano, erguido em memória das tropas que pereceram quando os navios de transporte SS Tuscania e HMS Otranto afundaram ao largo da costa durante a Primeira Guerra Mundial.
Port Ellen é acessível por ferry da CalMac a partir de Kennacraig em Argyll (aproximadamente duas horas e dez minutos) ou por via aérea de Glasgow para o aeroporto de Islay, próximo a Port Ellen. A acomodação varia desde os hotéis charmosos em Port Ellen até casas de férias em toda a ilha. O melhor período para visitar é de maio a setembro, quando os dias mais longos e o clima ameno tornam a exploração ao ar livre mais agradável. O Festival de Música e Malte de Islay (Fèis Ìle) no final de maio transforma a ilha em uma celebração de uma semana de uísque, música e cultura hebrideana.
